18 de março de 2018 INCOMPARÁVEL

INCOMPARÁVEL

Com toda a Igreja Católica da qual é o Patrono, nossa Diocese se alegra pela celebração de São José, nosso Padroeiro Principal. Despimos o roxo quaresmal e nos revestimos de branco e de brilho a fim de festeja-lo.

A santidade de José é incomparável. É reconhecida no Evangelho ao ser chamado de “justo” (Mt 1, 19), precisamente na situação mais dramática de sua vida, ao constatar que Maria, sua esposa, estava grávida de filho que não era seu. Numa visão ampla, comum na Bíblia, justo é todo homem cumpridor da Lei ou temente a Deus. Nada de incomparável.

Entretanto, na visão restrita do drama próprio de José, é bem mais. Ele pensava em superar o dilema do direito à denúncia, apenas recorrendo ao repúdio silencioso. Decidiria pela clemência de romper com o casamento, mas de modo secreto. Eis sua nobreza interior expressa em autodomínio e em generosidade. Notável a delicadeza para com Maria, a jovem donzela. Ele pensava deixa-la discretamente em silêncio obsequioso. Todavia, Deus planejara diferente. Segundo o projeto divino, surpreendente, a santidade de José haveria de ser reconhecida por sua obediência à vocação de ser esposo e pai, mas de modo heroico e inédito.  Assumiu Maria, como sua esposa com o Menino, obra do Espírito Santo, dando-lhe o nome de Jesus (v. 20-21). Ouviu a Deus, na palavra do anjo, porém em sonho. Nada diz, mesmo ao sonhar. Acordando, realiza tudo prontamente.  Nada faz fora da obediência. Inclusive a escolha do nome do Menino. Responde tão somente com atitudes, sempre no silêncio (v. 24). Eis sua santidade incomparável.

Por José, sabemos que Deus pode intervir numa vida, plasmando-a para projetos maiores. Quem chama, concede a graça do sim livre e da execução generosa. Neste sentido, entende-se como José foi esposo de Maria, guardando ou respeitando sua virgindade consagrada. Sua imagem segura um lírio branco da castidade para lembrar-nos de seu incomparável amor para com Maria, afeto de companheirismo e de amizade.  Torna-se, pois, para nós o modelo mais perfeito de devoção e de veneração mariana.  A propósito, escreveu o Cardeal Suenens: “José, esposo de Maria, a Mãe de Jesus, permanece misteriosamente unido a Ela, enquanto se realiza no mundo o nascimento místico da Igreja”. Unidos até na eternidade e em prol da obra do Filho de Deus.

José foi pai para Jesus que o chamou de filho. Não foi padrasto. Deu-lhe segurança e afeto. Defendeu sua vida, livrando-o da perseguição de Herodes.  Por isso, também o referido Cardeal escreveu: “José, o pai adotivo de Jesus, é também o Pai adotivo dos irmãos de Jesus, quer dizer, de todos os cristãos através dos tempos”. Exerce sua paternidade, adotando-nos. Ele é, para nós um pai ou patriarca e por extensão: patrono, provedor, padroeiro, cuidador, protetor.

José ensinou Jesus a trabalhar e isto não é de pouca monta. Era de costume que a profissão do pai passasse para o filho. Assim sendo, o Mestre foi reconhecido como “filho do carpinteiro” ( Mt 13, 55) e até como simplesmente “o carpinteiro” (Mc 6, 3).  De fato, na oficina de José Operário, Jesus menino e adolescente, aprendeu a vivenciar a lei e a bênção do trabalho. Pai e filho enobreceram e santificaram os frutos da fadiga e do labor. Portanto, nossas atividades.

Enfim, José morreu como trabalhou e viveu, na santidade, seja na alegria, seja na tristeza. Literalmente, tudo de si mesmo foi para Jesus e para Maria. Eis o ofertório incomparável do homem justo, digno de toda admiração e de gratidão. Além de tudo, protegeu o Mistério.    

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No dia 19 de março, celebramos, igualmente, o quinto aniversário do início do ministério petrino do Santo Padre, Papa FRANCISCO, Pastor Supremo da Santa Igreja. Oremos por ele. Faça-se menção na oração dos fiéis, durante a celebração eucarística. Com o auxílio de São José, governe a Igreja Católica, de acordo com o coração de Jesus, o Bom Pastor. Amém.

Um comentário em “INCOMPARÁVEL

  1. Um profundo dissertar este, da lavra de Dom Edson, nosso bispo diocesano, sobre a figura ímpar de São José,
    E logo me lembrei das “catequeses” de nosso saudoso Dom José Doth de Oliveira acerca, igualmente, do Patrono da Igreja Universal.
    Osmar Lucena Filho
    Paróquia do SC de Jesus
    Piquet Carneiro – CE

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