EM TOM CONFIDENCIAL

Perto de completar o primeiro ano de bispo diocesano de Iguatu, tenho presente, na prática do dia-a-dia, que o exercício episcopal na Igreja Particular é pastorear uma porção do Povo de Deus com a colaboração dos presbíteros. Trabalhar com o clero, ouvi-lo e respeitá-lo é um aprendizado ministerial para o bom êxito da obra de Deus.

Os sacerdotes se assemelham aos trabalhadores da vinha que suportam o peso do dia e o calor do sol (Mt 20,12) e sem murmuração. Dão conta de 28 paróquias, 5 quase-paróquias e 2 áreas de pastoral, incluindo várias Comunidades rurais. Em levantamento incompleto, são 535. Quando o relatório pedido chegar às minhas mãos, provavelmente obterei o resultado de mais de mil, pequenas e médias, Comunidades Eclesiais. É a Igreja viva que está na base ou na capilaridade dos Distritos e Sítios.

Somam-se outras atividades sacerdotais nas Pastorais, Movimentos e Associações. Devido a isto, estou cada vez mais surpreso, edificado pelo trabalho dos padres, incluindo os frades carmelitas responsáveis pela cidade de Icó. Entendo agora, menos na teoria e muito na prática, que a paróquia é Comunidade de Comunidades e as exigências do atendimento e do ir ao encontro requerem um heroico desgaste de si, permanente. A dimensão territorial se integra à comunitária. Ambas visam às pessoas onde convivem e interagem.

O bispo e o clero estamos a serviço dos fiéis de Cristo, chamados de leigos, ou seja, membros do Povo de Deus. Os leigos comprometidos são sujeito na Igreja. São protagonistas, dentro e à frente das Pastorais, das Comunidades Eclesiais de Base, das Novas Comunidades, dos Movimentos (Focolarinos, Carismáticos, Cursilhos, Mãe Rainha, Encontro de Casais, Caminho Neo-Catecumenal) e das Associações (Legião de Maria, Apostolado da Oração, Vicentinos). Participam dos Conselhos: Pastoral e Financeiro. Além disso, vivem seu batismo no mundo da família, do trabalho, da política.

As religiosas de diversas Congregações e os Irmãos Maristas e os Carmelitas participam da pastoral orgânica, em vários níveis: sócio e educativo, catequético e litúrgico-devocional. Põem seus carismas ao serviço de todos, com alegria e simplicidade. Enriquecem nossa pobreza com a variedade de dons que o Espírito Santo os presenteou.

O Ano da Misericórdia está sendo vivido pelas peregrinações às três “portas santas” e pelas caravanas dos padres organizados, em grupo, conforme os zonais, para visitarem as habitações e oferecerem “in loco” o sacramento da penitência aos mais distantes. Comovente atividade missionária.

Os sem teto, desde o início das ocupações de terrenos em Iguatu, experimentaram a presença solidária da Igreja, através de membros da Pastoral Social, da Caritas Diocesana e da Renovação Carismática. Houve a mediação da Igreja junto às autoridades. O mesmo se diga da população carcerária. O clamor da misericórdia foi sinalizado pelas visitas feitas pela Pastoral Carcerária e por mim próprio. Faltam algumas cadeias a serem visitadas. Por isso, sem cessar incomoda-me positivamente a exortação: “Lembrai-vos dos prisioneiros, como se vós fôsseis prisioneiros com eles” (Hb 13,3).

A promoção, o despertar e o aumento das vocações sacerdotais, o contato e o apoio aos seminaristas são ações prioritárias em razão do futuro. São a resposta de Deus às comunidades desejosas e suplicantes. Confesso a surpresa quando encontro padres, oriundos do território da Diocese de Iguatu, espalhados pelo Brasil. Tal encontro confirma a convicção formada de que nossa Igreja Diocesana é celeiro de vocações.

Reconheço a importância de meus antecessores: Dom José Mauro, Dom José Dott, Dom João. Suas boas obras permanecem. São visíveis por toda a parte. Para eles, em relação a mim, de São Paulo vale a constatação: “outro constrói por cima” (1 Cor 3, 10). De fato, eles é que lançaram os fundamentos.

Entro, enfim, no segundo ano de pastoreio, retomando o imperativo paulino: basta-te a graça!

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