DIOCESE DE IGUATU
14 de abril de 2018

FAKE NEWS: A Cobra, Jeremias e a Roupa Nova do Rei

Dando seguimento aos nossos artigos sobre as notícias falsas, neste, iremos tratar da parte mais importante na elaboração dessa engrenagem: o homem, ao que chamaremos de a ‘cobra’. A mentira ou a notícia falsa terá sempre a finalidade que será trazer vantagem para alguém ou para uma causa. Porém essa engrenagem poderosa e nem sempre de vida curta, precisa de algo que só o homem tem: A INTELIGÊNCIA.

Inteligência é a capacidade de resolver problemas, mas também é a uma forma de arrumar novas encrencas e para isso o cérebro humano é igualmente eficaz. Não basta apenas a inteligência. É preciso criatividade, pois será necessário inventar toda uma nova estória e que possa ser crível.

A fórmula da criatividade é interessante, pois sugere exatamente como qualquer coisa, inclusive os fakes podem ser criados – P=S+C=Np. Traduzindo: Problema é igual a soma da Solução com a Criatividade que é igual a Novo problema. E é exatamente isso que a informação falsa faz – ela te traz um novo problema.

Voltando a alegoria da cobra e da maçã, podemos agora, enquadrar o papel de cada um no processo da infâmia e da enganação: A cobra criou a estória a partir de um desejo de Eva que a cobra já conhecia e utilizando-se de uma ferramenta, a maça, que teria baixa ou nenhuma rejeição, mandou ver e aí perdemos o Paraíso.

O que você não sabe é que as mentes criminosas são muito inteligentes. Aquela imagem do cara mau, com rosto deformado, fisicamente imperfeito, de voz rouca, andar arrastado e dedos compridos e verruga na ponta do nariz, acompanhado ou não de córneos na fronte existe apenas na sua cabeça como um signo de definição de pessoa má.

Em sua grande maioria essas pessoas são simpáticas, desenroladas e tem ‘carinha de anjo’. Sim, daqueles que a sua mãe levaria pra casa. Eu os chamo de ‘gato-de-botas’. O olhar é ‘43’ de maior abandonado faltando apenas o sotaque espanhol; isso se faltar. Você nunca irá desconfiar dele ou dela.

Mas todos os belos são ruins como todos os feios são bons? Não! Quem vê cara não prevê fake. Lembre-se que sempre há pelo menos um propósito.

A Bíblia trata o caluniador em várias de suas passagens. Em Provérbios 17, 4 “O mau dá ouvidos aos lábios iníquos; o mentiroso presta atenção à língua perniciosa”. Se nossa leitura fosse atenta em relação aos ensinamentos de Deus jamais seríamos enganados pela mentira.

Em Sabedoria 17, 7 há uma clara definição de como somos atraídos pela ilusão – “A arte dos mágicos se mostrou ilusória, e esta sabedoria, a que eles pretendiam, evidenciou-se vergonhosamente como falsidade”. 

Uma das minhas passagens preferidas mostra como o homem fabricava notícias falsas para obter vantagem ou tirar a vantagem que seria para outros.

JEREMIAS 27

A mensagem de Jeremias a Zedequias era a mesma que ele apresentara aos embaixadores estrangeiros (Jr 27.4-11): submeta-se à Nabucodonosor e aos babilônios e vivereis, ou rebele-se contra Nabucodonosor — e contra Deus — e morrereis. A mensagem de morte é apresentada por meio do mesmo trio de termos sobre destruição em Jr 27.8, transmitida às nações estrangeiras. Jeremias falou não apenas contra os líderes religiosos, mas também contra os líderes políticos, assumindo uma postura que o classificaria como traidor da nação. Apesar da oposição que enfrentou, o profeta manteve-se firme em sua compreensão sobre a mensagem de Deus. Todos são advertidos a não se deixarem confundir com a agradável mensagem dos falsos profetas.

Vejam o que diz em Jeremias 27, 16: “Dirigi-me, em seguida, aos sacerdotes e ao povo: Eis o que diz o Senhor: Não escuteis a voz dos profetas ao dizer-vos que os objetos do templo em breve voltarão de Babilônia. É falsidade o que proferem.”

Jeremias propôs um teste para verificar se as palavras dos profetas eram verdadeiras. Se há palavras do Senhor com eles. Se os profetas realmente estavam trazendo a mensagem do Senhor, sua oração — para a permanência dos utensílios do templo que haviam restado — seria respondida. Não houve resposta.

“Jeremias, 27” merece um estudo detalhado.

Todas essas passagens mostram que a cobra ou o homem, presta-se a formular mentiras criativas (como em Jeremias 27,10) para um propósito – “”a fim de que sejais banidos de vossa terra, dispersados por mim e levados a perecer.” Agora vem a Verdade; a mensagem que eles tentavam esconder com a mentira: “Ao contrário, o povo que se inclinar ante o jugo do rei de Babilônia e a ele submeter-se, deixá-lo-ei tranquilo em sua terra – oráculo do Senhor -, a fim de cultivá-la e nela morar.” (Jeremias, 27,11)

A ROUPA NOVA DO REI

Ilustração para o livro “A Roupa Nova do Rei”

Passaríamos horas mostrando que há sempre uma luta entre o bem e o mal e nessa mesma linha lembro-me aqui de outra criativa notícia falsa que é um conto moral sobre ‘a roupa nova do rei’.

Ela é mais ou menos assim: Um bandido, fugindo de outro reino, decidiu fingir ser um alfaiate nas novas terras. O “novo alfaiate” conquistou a todos e até conseguiu uma audiência com o Rei.

“Nas terras distantes de onde vim, inventei uma forma de tecer a melhor de todas as roupas!” disse o alfaiate. E continuou “Consigo tecer uma roupa que somente os inteligentes conseguem ver!”

Pronto! O rei foi fisgado! Muito vaidoso, vossa majestade gostou da proposta e pediu ao bandido que fizesse uma roupa dessas para ele.

O bandido recebeu vários baús cheios de riquezas, rolos de linha de ouro, seda e outros materiais raros e exóticos, exigidos por ele para a confecção das roupas. Ele guardou todos os tesouros e ficou em seu tear, fingindo tecer fios invisíveis. Todos passavam na frente da alfaiataria e ele não parava de fazer sua performance: puxava panos, cortava o ar, olhava com cara de quem poderia fazer melhor, refazia e pendurava nada no mancebo. E continuou por semanas, enquanto recebia o dinheiro do rei. Todas as pessoas que passavam pela janela alegavam ver o tecido, para não parecerem estúpidas.

Até que um dia, o rei se cansou de esperar, e ele e seus ministros quiseram ver o progresso do suposto “alfaiate”. Quando o falso tecelão mostrou a mesa de trabalho vazia, o rei exclamou: “Que lindas vestes! Fizeste um trabalho magnífico!”, embora não visse nada além de uma simples mesa.

O rei resolveu marcar uma grande parada na cidade para que ele exibisse as vestes especiais.

Durante o evento, uma criança gritou ” O rei está nu!” A sinceridade e o olhar da criança foram a gota d’água que transbordou o copo. Começaram todos a confessar que não enxergavam a nova roupa do rei.

O rei, que não podia mais desfazer a mentira, andou pelas ruas insistindo que somente os inteligentes conseguiram ver a roupa nova do rei.

Sobre o falso alfaiate, nada mais se soube. Mas a vergonha do rei dura até hoje.

Cuidado com a inteligência da cobra. Busquem a Verdade. Só ela vos libertará.

 

Por Luís Sucupira

Assessoria de Imprensa da Diocese de Iguatu

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