DIOCESE DE IGUATU
7 de abril de 2018

FAKE NEWS: A cobra e a maça

Antigamente boatos, fofocas, rumores e estórias plantadas tinham a mesma função do que chamam hoje de notícia falsa ou fake news. Muitos atribuem a Roger Stone – The Prince of Darkness, esse modelo de usar a infâmia ou a mentira para eleger um presidente, mas não foi ele. Outros falam de Goebbels, ministro da Propaganda Nazista, mas também não foi.

Vamos à Bíblia, em Gênesis, e encontraremos a notícia falsa que nos tirou do Paraíso. A cobra e a maça são alegorias do que se chama hoje de fake news. Praticado há tempos, tais recursos sempre serviram para formar uma massa de manobra para aquilo que se deseja obter como resultado. Normalmente atuam dentro do que você espera ouvir, mas não é só isso.

Mentir e manipular estão, a cada dia, mais sofisticados a ponto de dizer que a mentira ganhou asas e as pernas curtas já não importam mais. Antes eram os meios chamados convencionais – rádio, jornal e televisão. E foi no radio que uma notícia falsa ganhou notoriedade e o seu autor, Orson Welles, virou lenda.

Em 30 de outubro de 1938, quando Orson Welles transmitiu sua adaptação do romance “Guerra dos Mundos”, de H.G. Welles. O programa simulou um noticiário jornalístico, quando Welles, seu narrador, descreveu em detalhes uma invasão alienígena em New Jersey. O programa incluiu boletins de reportagens e depoimentos de testemunhas. Tudo soou tão convincente que ouvintes entraram em pânico porque acharam que era um acontecimento real. Quando a verdade veio à tona, eles ficaram furiosos.

Mas ainda existem os boatos e eles servem também para destruir reputações. Winston Churchill dizia que “uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo da verdade ter a oportunidade de se vestir”. 

Em Salmos 50.19 e 20, está dito que ”vocês estão sempre prontos para dizer coisas, mas e não pensam duas vezes antes de pregar mentiras. Estão sempre acusando os seus irmãos e espalhando calúnias a respeito deles”. A notícia falsa é como as penas de um travesseiro rasgado que foram espalhadas. É impossível juntar todas as penas espalhadas pelo vento.

A mentira plantada pelas notícias falsas ganhou mais adeptos. O mas famoso deles ainda é Goebbels que plantou o ódio anti-semita e colaborou para um grande assalto às riquezas judias e o seu quase extermínio como solução final. É dele a frase que cria o goebberismo – a arte de plantar uma mentira e fazê-la ser aceita como verdade mediante uma insistente repetição; técnica essa adotada por Roger Stone, marketeiro político de ex-presidentes como Richard Nixon, Ronald Reagan e recentemente Donald Trump.

A notícia falsa sempre existiu. O que mudou foi a forma como elas conseguem se espalhar aproveitando a epidemia de desinformação que tomou conta das redes sociais. Existem pessoas que não acreditam que a Terra é redonda; que o homem foi à Lua, etc, etc e etc. E tem gente que se aproveita disso. Quando você curte algo no Facebook ou nas redes sociais, você mostra as pessoas quais as suas preferências e também como quer ser manipulado.

O maior escândalo de vazamento de dados nas redes sociais, protagonizado pelo Facebook, apenas confirmou que tudo sabem sobre você e que usam tudo isso para enganá-lo. É você dando as dicas e ensinando a eles como devem te enganar e te mandar notícias falsas e é você quem será a vítima de informações que deu. A receita é bem simples.

Pare de ler apenas noticias que lhe agradam. Busque informar-se. Analise e critique toda informação recebida. Todo mundo é passível de promover, repassar ou plantar uma notícia falsa; por que a maioria já mentiu alguma vez e voltarão a fazer isso no futuro. A cada dia que passa um informação falsa estará mais perto de você que nem uma maça ou uma cobra. Procure a verdade, ela sempre o libertará.

 

Por Luís Sucupira
Assessoria de Imprensa da Diocese de Iguatu

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