PILAR DA PALAVRA

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As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023 apresentam quatro pilares da comunidade eclesial missionária: Palavra, Pão, Caridade, Ação Missionária.

Sendo setembro o mês da Bíblia, é oportuno insistirmos sobre o primeiro pilar, a Palavra de Deus. O mês é pedagógico. Por isso, pode servir para acentuar as principais dimensões do primeiro pilar.

A iniciação à vida cristã, de inspiração catecumenal e mistagógica, é um dos objetivos da atual ação evangelizadora. Fundamenta-se na centralidade do primeiro anúncio, conhecido como querigma. A este núcleo sempre se volta na pregação, no ensinamento, na vida cristã. Trata-se do anúncio da nossa salvação, feita por Cristo e em Cristo, no Espírito Santo.

São Paulo repete o núcleo do querigma de vários modos e repetidas vezes. Por exemplo: Nosso Senhor Jesus Cristo “foi entregue pelas nossas faltas e ressuscitado para a nossa justificação” (Rm 4, 25), ou, o Filho de Deus “me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2,20).   Toda a literatura do Novo Testamento, sejam as narrativas dos Evangelhos, sejam os Atos e Apocalipse, conduz ao núcleo do querigma: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro! ” (Ap 7,10).

Além do catecumenato batismal e crismal a introduzir o primeiro anúncio, todas as demais ações, celebrações e até simples reuniões são animadas pela Palavra. Assim sendo, a Sagrada Escritura está presente na teologia, na espiritualidade, na devoção, na pastoral, na moral e mesmo no ecumenismo, seja como movimento, seja como prática.

Quanto ao ecumenismo, as Escrituras são “patrimônio comum de todas as Igrejas cristãs”. Elas não precisariam ser ponto de discórdia dos fundamentalistas e exaltados, mas de concórdia na busca do respeito e do diálogo, na fé e na caridade. “Todos sejam um ” (Jo 17,21).

 Paulo diz ao bispo Timóteo: “um servo do senhor não deve brigar; deve ser manso para com todos, competente no ensino, paciente na tribulação. É com suavidade que deve educar os opositores, na expectativa de que Deus lhes dará não só a conversão para o conhecimento da verdade, mas também o retorno à sensatez”. (2Tm 2, 24-26). Na prática, significa que as Escrituras não sejam usadas para contendas de interpretação ou de escola. A propósito, lembremo-nos que Jesus foi tentado com os textos. Ao contrário, não discute, mas vence o que divide com a resposta da Palavra: “também está escrito”.

Certamente, nosso bom povo precisa ainda de catequese fundamental, de introdução às Escrituras, de aprender a leitura orante da Bíblia, mas também necessita de instrumentos de defesa (hoje mais escassos e desacreditados) para salvaguardar a própria fé, a moral e os costumes, a pastoral social, atacados de todos os lados e de muitos modos. Dado que não todos dialogam conosco e até suspeitam de nossas boas intenções, especialmente no campo social (olha o caso do próximo sínodo amazônico!), é preciso oferecer instrumentos de imunidade e de esclarecimento para defesa da fé dos simples.

Apropriadamente, São Pedro exorta: Estejamos “sempre prontos a dar razão da vossa esperança…” (1Pd 3, 15). Para tanto, nunca é demais insistir: a Palavra é nosso pilar!

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