NOSSO PAPA É ASSIM

Convém trazer algumas impressões pessoais sobre a Jornada Mundial da Juventude. Foi o encontro dos jovens católicos com o jeito do Papa ser. Foram vários encontros, avalio. Encontro dos jovens entre si. Encontro dos jovens com os voluntários. Encontro de jovens na catequese feita por bispos. Encontro com o sacramento da Reconciliação.  Encontro com um novo país e sua cultura diferente. Encontro mundial de línguas diversas. Encontro de novas amizades. Encontro de alegria com pequenos gestos de amor. Encontro da dimensão universal da Igreja com a dimensão particular. Para cada jovem, encontro pessoal consigo mesmo e sua verdade.

Encontrar-se com o Papa, mesmo à distância pelo telão, possui significados surpreendentes para a mocidade. O sentimento é de presença. O sentimento é de pertença. Certamente, por isso, os jovens se identificaram em coro espontâneo: somos a juventude do Papa! Em um único momento, parecia lhes corrigir: sois a juventude de Cristo. Não mais disse isto, pois o coro repetia: somos a juventude do Papa! Se eles são do Papa, então, eles são de Cristo, sem dúvida.

Maria esteve presente em todo o tempo da Jornada no Panamá com sua imagem, Santa Maria Antigua. Presente nas mensagens do Papa, nas aclamações juvenis. A propósito, a multidão cantava em espanhol com vários sotaques: “Faça-se em mim segundo tua palavra” (Lc 1,38). Maria-jovem dissera sim. Com sua aceitação, “foi a maior influencer da história, mesmo não usando redes sociais”, acentuou o Papa. Os jovens aplaudiram. Eles e o Papa se entendiam.

 No “faça-se” de Maria, os jovens foram solicitados por Francisco a renovarem o sim do chamado pelo discernimento à missão. Respondiam: SIM! EIS-ME AQUI! O Papa fingia não ter ouvido e eles gritavam mais alto e em uníssono: SIM! Destacou que enquanto houver novas gerações capazes de dizer a Deus “Eis-me aqui” o mundo tinha esperança. Os jovens, no entanto, não são o futuro. São o presente.

Nosso Papa Francisco é assim: olha nos olhos, escuta, acena, abraça, sorri, deixa-se tocar quando é possível. Ele é a mensagem. Como sempre, quebra o protocolo. Quebra? Mas ele está longe de ser protocolar. É acessível, simples, despojado. Ensina a criar pontes. Aliás, foi uma de suas frases marcantes quando disse que, ao invés de se levantar muros, devemos construir pontes, mediações. Com tal imagem relacional, fortaleceu e promoveu a Cultura do Encontro.

 Alertou aos jovens que não confundissem felicidade com estar num sofá: “Sim, julgar que, para ser felizes, temos necessidade de um bom sofá”. Deste modo, advertiu para a superação do comodismo e da inércia e da preguiça. Enfim, salientou que para encontrar Jesus “deve-se tomar outro caminho: o d’Ele, o caminho do amor humilde”.

Finalmente, concluiu em tom de envio: “Vão e testemunhem o que vocês viram e ouviram, não com muitas palavras, mas com gestos simples e cotidianos. Não sei se estarei na próxima JMJ, mas Pedro certamente estará lá e confirmará vocês na fé”. Referia-se a próxima Jornada, em Portugal.

Ao despedir-se, no encontro com os voluntários, reconheceu agradecido que eles quiseram “dar o melhor da multiplicação, não só dos pães, mas da esperança. Precisamos multiplicar a esperança”. Os voluntários, os jovens e o Papa foram notas marcantes.

 Levou consigo a gratidão panamenha e o carinho de todos os participantes. Resta aos portugueses prepararem a próxima Jornada. Quanto a nós, sobretudo, nossa juventude diocesana, sejamos estimulados a ler as homilias, discursos e mensagens do Santo Padre. Compõem o vasto e rico magistério pontifício para a Pastoral das Juventudes, teoria e prática.

Como pediu, por favor e reiteradas vezes, rezemos pelo nosso Papa Francisco. Deus o conserve com seu jeito peculiar de ser.

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