CONSOLAI, CONSOLAI MEU POVO

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Neste tempo de sofrimento no mundo, no país e bem perto de nós, devido à insegurança da pandemia, ressoa a missão consoladora da Igreja, em atitudes e palavras, baseadas na Palavra de Deus. Algumas indicações bíblicas estimulam nossa presença solidária.

A missão libertadora do profeta, chamado de Segundo-Isaías, é, sobretudo, a de consolar: “consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus, falai ao coração de Jerusalém” (Is 40,1-2). Anuncia a esperança de um caminho a ser aberto, após a escravidão na Babilônia, para o retorno do povo. Eis a consolação de Jerusalém.

Falar ao coração de um povo, na metáfora da cidade, não é fácil, hoje como ontem. Mas, é possível e necessário. É falar a partir de sentimentos de ternura e de compaixão do nosso Deus. Por isso, o profeta diz: “Como um pastor apascenta ele o seu rebanho, com o seu braço reúne os cordeiros, carrega-os no seu regaço, conduz carinhosamente as ovelhas que amamentam” (Is 40,11). Assemelha-se ao amor materno que não esquece dos próprios filhos (Is 49,14-15).

Deus tem “palavras consoladoras” para seu povo (Zc 1,13). Os tempos messiânicos expressam a intervenção histórica do Deus consolador. Também a oração pessoal do salmista expressa a consolação divina na aflição. Por exemplo: “Esta é a minha consolação na minha miséria: a tua promessa me dá vida” (Sl 119,50); “Que teu amor seja minha consolação” (v.76). Os salmos nos encorajam e nos levantam do desânimo.

Jesus, Messias e Filho de Deus, é apresentado como Aquele que traz a boa nova da Salvação. Foi ungido pelo Espírito para evangelizar os pobres, consolar os aflitos, libertar os cativos e curar os doentes (Lc 4,18-20). Do seu sacrifício na Cruz, envia a mensagem de consolação solidária no amor, no perdão, na esperança: Vinde a mim!

Um cântico antigo diante do Santíssimo Sacramento, dizia: “Bendito seja o santuário em que achei consolação; meu bom Jesus, o teu sacrário a paz me trouxe ao coração”. A adoração ao Senhor, presente entre nós, é fonte renovada de paz, de saúde espiritual e mental. Muitos santos e santas incompreendidos encontraram resposta no sacrário.

Paulo estabeleceu o que poderíamos chamar de “teologia cristã da consolação”.  Da desolação brota a consolação, da fraqueza a fortaleza, da morte a vida, desde que o discípulo esteja unido ao Senhor Jesus, aos seus sofrimentos, a sua morte e a sua glória.

Paulo lança, igualmente, à Igreja a missão de consolar, em várias de suas Cartas. Deseja que sejamos consoladores: “O Deus da perseverança e da consolação vos conceda terdes os mesmos sentimentos uns para com os outros, a exemplo de Cristo Jesus” (Rm 15,5). Diante da morte, diz enfaticamente: “consolai-vos uns aos outros” (1 Fl 4,18) com as palavras da fé, carregadas de esperança.

Jesus prometeu o Consolador ou Defensor (Jo 16,7-15). Derramado em Pentecostes, estende a missão salvadora e consoladora de Jesus na Igreja para o mundo. A Igreja que sofre e é perseguida, entretanto, é chamada a consolar e a acolher. Isto se dá no Espírito.

Maria é imprescindível. Desolada, recebeu, aos pés da Cruz, a missão de consolar-nos como nossa Mãe. Com ela, subimos e descemos o calvário da vida. Neste tempo de incertezas, recorremos ao seu auxílio e amparo: Consoladora dos aflitos, rogai por nós!

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