Caminhada da Seca homenageia os mártires de ’32 em Senador Pompeu, no Ceará

Município de Senador Pompeu, estado do Ceará. A Caminhada da Seca realizada no segundo domingo de novembro, que em 2017 caiu no dia 12, nasceu de uma iniciativa dos fiéis católicos de levar água e acender velas na intenção dos mártires da Seca de 32’. De acordo com o padre Anastácio Ferreira, assessor da Urgência da Comunidade das Comunidades, “o costume chamou a atenção do padre Albino Donati, missionário da Diocese de Trento, na Itália que após pesquisar a história decidiu organizar a Caminhada da Seca.”

As secas constantes e a ausência do Estado causaram a morte de nordestinos vitimados pela fome nas secas entre 1887 e 1915. Estima-se que cerca de três milhões de nordestinos tenham morrido.

Cem anos mais tarde estudo realizado no livro GENOCÍDIO DO NORDESTE, organizado pela Comissão Pastoral da Terra e o Ibase repetiu o desafio de contar as vítimas da seca e os números foram igualmente assustadores. Entre 1979 e 1984 mais três milhões e meio morreram vítimas da fome e de doenças.

Na seca de 1932, os campos de concentração foram a solução encontrada pelas autoridades do Ceará para evitar que a capital Fortaleza viesse a ser invadida por flagelados. Nesses campos morreram de fome, sede, doenças e maus tratos outras dezenas de milhares de cearenses.

Valdecy Alves – advogado e historiador local – destaca a importância histórica da preservação da tradição e do lugar, “pois é o único que ainda está estruturado e com prédios.”

Centenas de pessoas vêm de todos os lugares para agradecer pelas graças alcançadas e lembrar que este sofrimento não deve ser esquecido. O senhor José Nascimento Souza vem todos os anos ao Campo Santo da Barragem do Patu e destaca que essa Caminhada serve de alerta para que as autoridades tenham mais cuidado com o povo.

Após uma caminhada de 3 quilômetros a partir da matriz de Senador Pompeu, cerca de 6 mil romeiros, segundo os organizadores, seguiram em oração ao cemitério onde estão enterrados, em vala comum, os mortos da seca de 1932.

No lugar, tradicionalmente é rezada missa que mais uma vez contou com a presença de Dom Edson de Castro Homem, bispo de Iguatu.

Na sua homilia Dom Edson destacou a importância do resgate histórico deste fato para que jamais seja esquecido. Segundo ele, “enquanto for bispo de Iguatu e a saúde permitir eu estarei aqui cobrando para que a história seja aberta e desenterrada e lembrando os mesmos fatos, da mesma maneira para que todos saibam a vergonha que aconteceu aqui.” Finalizou Dom Edson.

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