BOA NOVA AOS POBRES E HUMILDES

O terceiro domingo do Advento é marcado tanto por Isaias quanto por João Batista, profetas da preparação e do anúncio da realização. Profetas da esperança em ato.

Isaías que recebera a mensagem das boas notícias, entende sua vocação profética como dom do Espírito de Deus que o ungiu e enviou para anunciar a salvação aos pobres para cura-los, liberta-los e consola-los (Is 61,1-2).

Os pobrezinhos de Deus, no tempo do exílio e do pós-exílio da Babilônia, são os retirantes que retornam para reconstruir-se como povo e nação. Atualizando a mensagem, esta diz respeito aos carentes, no mundo de hoje e em nosso país. São os empobrecidos cuja tragédia humana é percebida pela desigualdade crescente junto com a enorme indiferença de líderes, homens e mulheres com poder decisório.

Ao contrário, Deus e seus profetas põem-se ao lado dos oprimidos e humilhados. Maria também. No advento do seu Filho reconhece o amor preferencial de Deus, base da opção feita pelos pobres: “De bens saciou os famintos e despediu, sem nada, os ricos” (Lc 1,52).

Do texto profético de Isaías e do cântico de Maria decorrem que a religião cristã tem uma missão consoladora, sim, e muito mais libertadora. Consola porque liberta. Por isso, não se confunde com o “ópio do povo” dos críticos da religião ou com o anestesiar das massas sofridas, dos céticos. Ela pode incutir nos empobrecidos a validade da própria luta por conquistar a “vida plena” e a esperança de alcança-la como legítimo desejo humano e dom divino. Nos ricos, impõe a realização de ações boas e justas em prol dos pobres. A religião verdadeira os inquieta, mas os desperta para o direito e a justiça, binômio da Lei de Deus.

Deus é justo. Mais do que isto, Ele é a própria justiça (vv. 10) e faz germiná-la (v. 11). Nisto consiste a alegria transbordante do profeta Isaías, vestido com as vestes da salvação, coberto com o manto divino da justiça e adornado como um noivo para sua noiva, ou seja, revestido da beleza da poética, isto é, de quem se dedica à ética. De fato, todo o discurso e toda luta pela ética das relações boas e justas traz em si a estética, pois o belo só pode ser o bom e o justo.

João Batista, ao seu modo, profetiza e ensina na mesma ótica do profeta Isaias, insistindo nas relações boas e justas para acolher, coerentemente, àquele que vem vindo. Em sintonia com Isaias: “grita no deserto: Aplainai o caminho do Senhor” (Jo 1,23). Ele dá testemunho da luz (v.8). Anuncia o desconhecido que, no entanto, já está presente no meio do seu povo (v.26).

As mensagens do terceiro domingo do advento da nossa preparação para o Natal nos sugerem, mesmo em tempo de pandemia e, sobretudo, devido à mesma, maior atenção para com a cesta dos pobres. Toda pastoral social é chamada ao amor criativo, à “fantasia” generosa da caridade para torna-la possível a favor dos que precisam. Incluam-se também os presos e seus familiares. A situação deles nunca foi humanizada. Neste tempo de pandemia vivem em situação ainda mais clamorosa de risco. Que eles participem da “migalha” da festa.

Também cuidemos de nossa preparação espiritual, pela oração, a meditação, a novena e os ornamentos de luzes e de cores. Além da árvore estilizada, existe o presépio que podemos compor e tanto encantar as crianças. As imagens hão de retratar a cena do Natal e da Epifania.

No presépio, o casal, anjos e animais dão a ideia da Vida que nasce, o Menino, expressão do sim de Deus ao sim de Maria, no Espírito Santo, com a colaboração discreta do sim silencioso de José. Sim do próprio Verbo –Palavra eterna- que nos assume no tempo para a eternidade.

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