BATISMO DO SENHOR

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Ao recordar o Batismo do Senhor como Epifania divina, a Igreja se detém na manifestação da Trindade: “O céu se abriu e ele viu o Espírito de Deus descer sobre Ele como uma pomba. Uma voz vinda do céu disse: “Este é o meu Filho muito amado. Eu o escolhi e nele me comprazo” (Mt 3,16-17).

Abre-se o céu. Magnífico! É do alto, pela Palavra, que vem a revelação sobre o mistério oculto de Jesus. Cena semelhante se dá na transfiguração quando o Pai diz: “Este é meu Filho muito amado; eu o escolhi e nele me comprazo: ouvi-o!” (17,5).

Após a liturgia do Natal e da Epifania, a manifestação de Jesus acontece na sua vida pública com os chamados mistérios luminosos, pois tudo se esclarece por fatos e ditos. Toda sua atividade pública e notória se dá em união com o Pai e mediante a força profética e dinâmica do Espírito Santo que desce sobre Ele.

Entretanto, o messianismo e o profetismo de Jesus seriam caracterizados pela fraqueza e o sofrimento, próprios do Servo Sofredor: “Pus sobre Ele o meu Espírito; não clama e não levanta a voz, não quebra uma cana rachada, não apaga um pavio que ainda fumega; não esmorecerá; não se deixará abater…” (Is 42,1ss). Força na fraqueza.

Certamente, por isto Jesus diz ao Batista: “É assim que nós devemos cumprir toda a justiça” (v.15). Na realidade, João se opunha a batizá-lo: “Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (v.14). Jesus, porém, revela ao Batista, desde o início, a vontade de Deus a respeito da missão salvadora do Filho pela humilhação.   

No batismo de Jesus, a Igreja celebra o sentido do seu batismo, sacramento de entrada, de todos os inícios eclesiais, inclusive é penhor da eternidade. É parte do itinerário de Iniciação ser integrado na missão do Ressuscitado: “Ide pois, e fazei discípulos todos os povos: batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (28, 19).

 O batismo de Jesus favorece a compreensão do sentido inaugural e permanente do nosso batismo e recupera suas energias. Renova-nos a partir da nossa relação com cada pessoa da Santíssima Trindade: filhos do Pai no Filho pela ação do Espírito. Cultiva-se na oração, sobretudo, de louvor. Torna-se presente no início de cada prece e em toda bênção. Chega ao cume na ação eucarística, celebrada na dimensão trinitária do louvor ao Pai por Cristo, com Cristo, em Cristo, na unidade do Espírito Santo.

Também a dimensão pascal de morte ao pecado pela ação da graça possui seu componente batismal, evidenciada por Paulo, de morrer e ser sepultado com Cristo para ressuscitar na vida nova. Tal vivência se expressa na ética cristã e a fortalece.

João sintetiza o melhor da ética ao dizer: “Nós sabemos que passamos da vida para a morte porque amamos os irmãos” (1Jo 3,14). É convite à experiência constante de conversão, dinâmica e progressiva, ao dinamismo pascal do batismo. Trata-se de morrer ao desamor para viver a fraternidade.

A Epifania do Batismo do Senhor manifesta o sentido espiritual e ético do batismo: graça, compromisso e missão. Deus nos comunica a sua vida. Jesus nos lava no banho da regeneração. O Espírito Santo purifica nosso amor. Passamos do simbolismo à realidade prática, vivida a partir do sacramento.

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