15 de dezembro de 2018 ABREM-SE CAMINHOS

ABREM-SE CAMINHOS

A pregação de João para preparar o caminho e endireitar veredas (Lc 3, 3) provoca a indagação “que devemos fazer? ” (v. 10-14). A pergunta é prática e direta. A resposta também. Resposta de atitudes.

À multidão, o profeta convida à partilha e à solidariedade: “quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo! ”  Aos cobradores de impostos, propõe a honestidade: “Não cobreis mais do que foi estabelecido! ” Aos soldados, a aplicação da justiça: “Não tomeis à força dinheiro de ninguém, nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário! ”

O auditório de João era composto pela multidão anônima e pelos pecadores públicos. Os cobradores de impostos eram ladrões e usurários, colaboracionistas de Roma. Os soldados eram mercenários e apoiadores do sistema de ocupação. Foram orientados pelo precursor a terem atitudes justas e fraternas, em preparação ao advento do Messias dos pobres e dos pecadores.

Entretanto, a salvação não é simplesmente manter e cultivar uma honestidade religiosa e social. Não se trata apenas de moralidade ou mesmo de boa ética. É o encontro com Jesus, o Cristo da fé. É aceitar seu senhorio divino. Entende-se por que Jesus, para João, é o mais forte, quem batizará no Espírito Santo e no fogo. Não apenas com água. (vv. 16-17). A atitude coerente é de total humildade: “Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias” (v. 16).

Como abrir caminhos para Jesus, hoje? Resposta de atitudes. O anúncio e o testemunho da prática da fé. Conversão ao Evangelho.  Sermos portadores da alegria:   “Alegrai-vos sempre no Senhor. Ele está perto” (Fl 4, 4-5). Eis as motivações.

Compartilhemos a felicidade cristã genuína! Todos podemos ser ministros da alegria de Jesus para as crianças, os idosos, os pobres, os presos, os doentes, os distanciados, os amargurados, enfim, os pecadores. Motivemo-nos pelo desejo de São Paulo: “que a vossa bondade seja conhecida de todos os homens! O Senhor está próximo! ” (Fl 4, 5). De fato, a bondade sempre traz satisfação de viver. Ela, sozinha, resume o sentido ético da existência realizada e feliz.

É possível compartilhar a alegria da vivência da fé com os jovens, sobretudo, os jovens digitalizados de hoje. A mocidade é sempre divertida e ruidosa. Transmite contentamento, satisfação, congraçamento. Sendo Jesus a causa da alegria verdadeira, importa fazer com que as juventudes encontrem a felicidade e o sentido de viver em Cristo, amigo e companheiro delas.

Compor e cantar são formas lúdicas a expressarem a alegria existencial. O ditado popular é correto: “quem canta seus males espanta”. Desarma a tristeza. Supera o pessimismo. Certamente por isso, a Palavra de Deus nos exorta a cantar. “Canta de alegria”, diz Sofonias (Sf 3, 14). “Gritai de alegria”, salmodia Isaías (Is 12, 6). Até os anjos cantam e exultam (Lc 2, 10. 14). Com sabedoria, a Liturgia integra em si a música e o canto. O próprio Natal é cantado.  

O Natal é, sobretudo, sacramental. Encontro com Jesus que nos dá a alegria do perdão no sacramento da reconciliação. Encontro com Ele que se doa e conosco dá graças e nos refaz na eucaristia. O Natal é solidário. Encontro com Jesus, alegria dos pobres, quando multiplica os poucos pães e peixes dos dons que oferecemos. 

A ternura e a bondade do nosso Salvador aqueçam corações frios e rígidos com o toque do Espírito Santo e do fogo! Aqueçam a prática da nossa fé! Tornem-nos serenos e pacificadores! Se possível, divertidos.

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