VENTO. SOPRO. FOGO. ÁGUA

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Pentecostes, 50 dias após a Páscoa, o Espírito Santo prometido é derramado sobre o núcleo da Igreja de Jerusalém. Trata-se de uma assembleia qualificada: “Eram Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, o Zelota; e Judas, filho de Tiago. Todos estes, unânimes, perseveravam em oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a Mãe de Jesus, e com os irmãos dele” (At 1,13-14). A Igreja já nasce santa.

É comparável o Espírito ao vento e ao ar (pneuma, ruah). Na teofania do Espírito se diz: “veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam” (At 2,2). O vendaval expressa os efeitos do Espírito, de um lado, à semelhança do vento enquanto ímpeto de força irresistível e, de outro, à semelhança do oxigênio que tudo preenche e é indispensável para a vida.  O Espírito é o oposto da morte. Ele é também a expressão da liberdade divina, pois sopra onde quer (Jo 3,8). Ele é nossa liberdade (2 Cor 3,17).

Outra comparação do Espírito é o sopro que também é ar, porém, ligado ao ato vital da respiração. O sopro é o de Jesus sobre os discípulos (Jo 20, 22). Jesus sopra o Espírito Santo como Doação para que comuniquem a vida nova da redenção. Eles administrarão o perdão dos pecados, renovação, paz e reconciliação; são enviados ao mundo em missão (Jo 20, 21-22).

Expressiva é a comparação com as chamas do fogo. “Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiam e que pousaram sobre cada um deles” (At 2,3). Certamente, recorda o dom da profecia, do anúncio e da pregação, dom ligado à Palavra ungida pelo Espírito e à Missão confirmada. Lembra-nos a brasa do altar que tocou os lábios de Isaías (Is 6, 6-7). Sem o fogo na voz, os corações dos ouvintes não se abrasam, permanecem insensíveis ou refratários.

As “formas de línguas de fogo” estão intimamente ligadas ao carisma, assim exposto: “Repletos do Espírito Santo começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimirem” (At 2, 4). A unidade perdida no simbolismo da torre de Babel, ligada à confusão dos idiomas, é recebida, agora, como dom do Espírito pela mediação da Igreja, mestra e mãe.

Eis a grande mensagem do Pentecostes cristão, a unidade já realizada na Igreja é dom do Espírito em Cristo -“Eu estou no Pai e o Pai em mim” (Jo 14,11) – e no crente unido ao Cristo e por Ele ao Pai, na Comunidade Eclesial que possui os elementos de comunhão de verdade e de vida. Favorece o diálogo na diversidade e nos conflitos. Sustenta a oração, na mesma Unidade.

A surpresa de ouvir falar e compreender tudo na própria língua (At 2,8) é iniciativa do Espírito. Ele universaliza a Mensagem. Por Ele, a Boa Nova se torna compreensível e acessível. Ele a traduz e incultura. Assim sendo, a Igreja já nasce católica, universal, missionária, aberta. Caem os muros de separação. Ampliam-se as mediações. Jesus pode ser proclamado Senhor, Salvador e Redentor de todos que integram um novo Povo régio, sacerdotal, profético. Sem fronteiras.

Entende-se, pois, o uso da profecia de Joel, pelo discurso de Pedro à multidão: “derramarei do meu espírito sobre toda a carne” (At 2, 17; cf. Joel 3, 1). Nas conversões e no batismo dado a três mil pessoas, visualizamos as primícias do Espírito na Igreja nascente. A Igreja já nasce multidão. Não nasceu uma seita de iniciados, esotérica e reclusa. Cresce na praça pública.  

Outra significativa comparação é com a água, imprescindível.  Em Pentecostes, a Palavra que provoca conversão, leva imediatamente ao batismo, sem iniciação e catecumenato. Todos se deixam mergulhar no Espirito do Pai e do Filho, na comunhão trinitária do Amor em Deus. Bebem do mesmo Espírito (cf. 1 Cor 12,13).  A Água Viva brota do Vivente. Também jorra de quem crê como se fossem “rios de água viva” (Jo 7, 38). Significa que comunicamos o Espírito Santificador aos que necessitam saciar a sede de vida, de sentido, de amizade, de paz, de ternura humana e divina. Sede de Deus e da graça!!! Portanto, sejamos fonte a jorrar a vida no Espírito.

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