TESTEMUNHO DO BATISTA

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João Evangelista apresenta o testemunho de João Batista (Jo 1,19-34): “Eu não sou o Cristo” (v.19). Diante das perguntas insistentes dos fariseus, ele dá dois tipos de testemunho: o indireto: “Eu sou a voz de alguém que clama no deserto: endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías” (v.21); o direto e afirmativo referente a Jesus: “Este é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (v.29).

João Batista dá o testemunho de uma Presença. Melhor dizendo, testemunha a experiência da Presença. Diz nos seguintes termos: “Eu vi o Espírito descer como uma pomba do céu e pousar sobre ele. Eu não o conhecia, mas o que me mandou batizar com água me disse: O homem sobre o qual verás descer e pousar o Espírito, esse é quem batiza com o Espírito Santo” (v.32-33). Finalmente, expressa com clareza: “Eu o vi e dou testemunho: Ele é o Filho de Deus! ” (v.34).

João anuncia o Messias, Filho de Deus, presente no meio de nós, ainda não conhecido. Portanto, ainda não “experimentado”. É o Cordeiro pascal do novo êxodo. Ele é quem tira “o pecado do mundo”, pecado da opressão que torna a humanidade cativa. Este pecado é para ser “tirado”, arrancado ou eliminado. Posto no singular se diferencia dos diversos pecados pessoais. Ação libertadora de Jesus o torna reconhecido como Redentor e Salvador.

Por Jesus, pelo batismo com o Espírito Santo, é possível, pessoalmente, sair do pecado do mundo, da ordem injusta e opressora e institucionalizada. Enfim, do sistema estabelecido, contrário ao projeto de Deus.

Quanto ao “príncipe deste mundo”, assassino e mentiroso, já foi vencido; mas, porém, todavia… diz Jesus: “o príncipe do mundo vem; contra mim, ele nada pode” (14,30). Nada pode também contra aqueles que são de Jesus. No entanto, ele vem sempre. Arrasta. De fato, todas as gerações cristãs experimentam o que Paulo intitula de “mistério da iniquidade”. Porém, os autênticos discípulos de Jesus, notadamente os santos e santas, conviveram com o “mistério da piedade” em união com Cristo e no Espírito. Não aderiram ao pecado do mundo. Fugiram das seduções e das obras do mal.

Neste período litúrgico, ainda inaugural, seja da vida pública de Jesus, seja do Tempo Comum, acompanhemos a presença do Mestre nos diversos acontecimentos, sinais e ensinamentos de sua estada entre nós.

 Com sua vida, morte e ressurreição já não precisará do testemunho inaugural do Batista. Suas ações darão testemunho conforme os depoimentos: “as obras que faço em nome de meu Pai, estas dão testemunho de mim” (10,25), ou, “Eu dou testemunho de mim mesmo; e meu Pai, que me enviou, o dá também” (8,18).

Quanto a nós, devido ao Espírito que nos foi dado, podemos caminhar no seguimento ou no discipulado de Jesus. Eis nosso testemunho. Daí a importância buscar a coerência entre o dizer e o fazer, entre a fé professada e a fé vivida, entre o ser e o existir cristão. Esforço progressivo e continuado na perseverança.

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