RUMO AO CENTENÁRIO

No dia 7 de setembro de 1921, o Servo de Deus, FRANK DUFF, fundou a Legião de Maria, em Dublin, Irlanda, invocando o Espírito Santo e recitando o rosário, às 20 h, quando a Igreja rezava as primeiras Vésperas da Natividade de Nossa Senhora. O próprio Frank fez esta observação: “os primeiros perfumes da véspera, e não os últimos, eram os mais apropriados”.

Alguns aspectos marcariam o nascimento e a vitalidade da Legião, antes do Concílio Vaticano II e foram confirmados por ele: a doutrina do Corpo Místico de Cristo; o apostolado dos leigos na Igreja e no mundo; a presença de Maria na obra de Cristo e na vida da Igreja; a santificação dos fiéis leigos; o retorno às fontes bíblicas e as da Tradição. Todos estes aspectos estão presentes no Manual da Legião de Maria que anima o apostolado organizado de seus membros.

A mariologia de São Luís Maria de Montfort é a espiritualidade legionária por opção do Fundador. Ocorreu com ele o que se dá, em geral, com aqueles que se aproximam do Tratado da Verdadeira Devoção: o estranhamento e a sensação de exagero. De fato, São Luís Maria faz parte da tradição maximalista da devoção mariana que se opõe a qualquer minimalismo. Sintetiza-se em SER TODO DE MARIA, característica de São João Paulo II, outro monfortiano e maximalista. Após a releitura do Tratado, Frank Duff assimilou-o seja na teoria seja na prática.

O Cardeal Suenens, autor da obra ‘Teologia do Apostolado da Legião de Maria’, escreveu sobre Frank Duff: “a sua espiritualidade caracterizava-se por uma fé viva no Espírito Santo e uma profunda união a Maria, em cuja dependência vivia continuamente. A festa de Pentecostes, em cujo dia nasceu, marcou-o no mais íntimo do seu ser. A Promessa Legionária, por ele composta e tão rica de espiritualidade, centra-se no Espírito Santo” (Em 15 de agosto de 1984).

A Legião de Maria se difundiu em todos os continentes com o Fundador vivo. No Brasil, chegou ao Rio de Janeiro, em 1951, acolhida pelas mãos de Yolanda Vieira Ribeiro que também viu a obra se expandir pelo amplo território nacional. No Ceará, chegou por Joaquina Lucas, em 1956, cujo primeiro Praesidium foi fundado na Paróquia Cristo Rei. Por Dom Mário Teixeira Gurgel, bispo da Legião, chegou em 1958, à Paróquia Bom Jesus dos Aflitos. Nascido em Iguatu, ele retornou à cidade para a fundação do primeiro Praesidium, em 1972, na residência de Dom José Mauro com as pioneiras, Luiza Ferreira Pinho e Maria Vilany Lima, ainda vivas.

A Legião visa ao apostolado e à santificação de seus membros, a partir da imitação das virtudes de Maria. Nesses 99 anos de existência, ela expressa sua vitalidade na obra de seus membros, cheios de fidelidade legionária. Há testemunhos heroicos de perseverança e de resistência. Muitos deram o pleno testemunho de Cristo até o martírio, na perseguição elaborada pela política devastadora da Cortina de Ferro. Atualmente, implora a Deus a beatificação de Frank Duff e dos jovens missionários, Edel Quinn e Alfie Lambe, exemplos de cristãos legionários.

O trabalho legionário caracteriza a dimensão prática da sua espiritualidade laical, voltada à difusão do reinado de Cristo, através de Maria, nos corações e nas vidas, insistindo nas visitas às casas, aos hospitais e aos presídios. Em 2020, entregará a Maria, sua Mãe e Rainha, os frutos do centenário –frutos de “fé viva animada pela caridade, de fé firme e inabalável como a rocha”. Passada a pandemia da Covid 19, a Legião de Maria retomará as atividades sem flexibilização.

 

Deixe uma resposta