O REI E O POBRE

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A conclusão do ano litúrgico com a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, nos apresenta a sugestiva parábola, própria de Mateus, sobre o juízo final (Mt 25, 31-46). É dia dedicado à missão do fiel leigo, homens e mulheres que testemunham o senhorio de Jesus no ambiente secular.

A imagem do retorno de Cristo Rei é impactante, majestática, solene. O Filho do homem virá em glória, acompanhado com a corte dos anjos. Irá assentar-se em seu trono também glorioso. Todos os povos da terra serão reunidos diante dele. A assembleia é universal.

Mateus introduz o tema do julgamento final, na separação entre ovelhas à direita e cabritos à esquerda. Tal imagem é tirada do Livro de Ezequiel no qual o profeta introduz a figura simbólica de um messias ou rei-pastor, juiz entre ovelha e ovelha ou entre carneiros e cabritos (Ez 34, 17. 32-33).

A mensagem é clara, simples e prática. Pela fraternidade vivida e reconhecida, uns receberão a herança do Reino que o Pai preparou. Ao contrário, pela falta de fraternidade, também reconhecida, outros serão deserdados. O juízo, porém, não leva em conta ações heroicas e estupendas de caridade fraterna, mas as chamadas obras de misericórdia ao alcance de todos e, aliás, muito estimuladas no Antigo Testamento (cf. Is 58, 7; Jó 22, 6-7; Eclo 7, 35-36).   

O ambiente secular é realçado no sentido que o juízo não se dá sobre realidades espirituais ou abstratas e evasivas. É o próprio rei-juiz quem se identifica como sendo irmão do faminto, do sedento, do estrangeiro, do nu, do doente, do encarcerado. Portanto, de todos os sofredores. O reconhecimento é dado por Ele. Provoca em quem não sabe a surpresa concretizada: “Quando foi que te vimos”?  Surpresa que não terá o cristão, pois sabe. A surpresa será que, outros, no universo distante e não familiarizado, da história, sem saberem, presentearam a Jesus com um simples gesto filantrópico ao qual Ele dá valor meritório.  Para os cristãos, porém, é exigido bem mais: a caridade que reconhece pela fé o Senhor, presente nos desvalidos e empobrecidos. Nada de amor platônico. Portanto, trata-se da “ fé operosa pela caridade” (Gl 5,6) no mundo.

O senhorio de Jesus passa pela ação benéfica dos cristãos na história, sobretudo, dos fiéis leigos e leigas. Mesmo quem detesta a Igreja reconhece a importância de suas obras sociais no decorrer dos tempos.  Tudo isto, Bento XVI nos recordou em sua Encíclica “Deus é Amor”. Na Conclusão, refere-se a São Martinho de Tours (+397): “partilhara metade do seu manto com um pobre; durante a noite, aparece-lhe num sonho, o próprio Jesus trazendo vestido aquele manto, para confirmar a perene validade da sentença evangélica: “Estava nu e destes-me de vestir […]. Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25,36. 40)”.

A propósito, Papa Francisco instituiu a Jornada Mundial dos Pobres. Lembrou que a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, resultaria mais autêntica se fosse antecedida por esta Jornada com momentos de encontro, de amizade, de solidariedade e de ajuda concreta aos empobrecidos. Estes poderiam ser convidados juntamente com os voluntários -leigos e leigas- para, juntos, na Eucaristia rezarem. Insistiu, baseando-se na Primeira Carta de João, que o amor não se faça com palavras, mas com obras concretas.

O senhorio de Jesus conduz o laicato católico pelas estradas do mundo, curando feridas ou amenizando-as. Discípulos do Rei vão ouvindo o gemido dos que sofrem. Consola-os.

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