O DOENTE E A CURA


Na continuação da leitura de Marcos, o domingo é marcado pela ação de Jesus que, no seu ministério na Galileia, cura muitos doentes (Mc 1,29-39). Na maioria das vezes, os enfermos é que se dirigem ou são conduzidos a Jesus. Ele exerce o ministério de cura e de libertação.  

Jesus se dirige à casa de Simão e os discípulos dizem que a sogra dele estava acamada com febre. Solicitamente, Ele se aproximou dela, segurou sua mão, ajudou-a a levantar-se. A febre desapareceu. Ela começou a servi-los. (Mc 1,30-31). Não há palavras na narrativa. Há gestos, apenas. Há ações significantes: aproximar-se, segurar, ajudar. Jesus nada diz à febre e à doente. Também a sogra de Pedro ao ser curada nada diz. Todavia, age, isto é, se levanta e serve aos presentes. O serviço ou ministério de cura é exercido. Diz por si de dedicação e de solicitude. Todavia, não é um ato moral ou que indique uma atitude comportamental. Trata-se de anúncio prático do Reino de Deus. As ações de cura e de libertação sinalizam para a presença do Reino. 

À tarde, a cidade inteira se reuniu em frente da casa. Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças (v.33-34). Trata-se, portanto, dos que têm necessidades físicas ou psíquicas e mesmo espirituais, se considerarmos a expressão “possuídos pelo demônio” (v.32) de pessoas que já não se encontram capazes de se conduzir com liberdade e espontaneidade. Estão acorrentadas e escravizadas e têm a sensação de serem possuídas por um outro. Também para elas é que se faz a observação: “Todos estão te procurando” (v.37). Tal procura é de todos os tempos, pois o homem é um ser necessitado e carente, dividido, em busca de felicidade, harmonia e vida boa. 

Se a doença sinaliza para nossa fraqueza, debilidade e finitude, a cura aponta para a vitória das forças vitais existentes. Aponta para a presença do Reino de Deus, a salvação integral –corpo e alma-, em Cristo, mesmo que seja mediada pela ciência e a competência dos médicos e dos profissionais da saúde e o cultivo da medicina preventiva. Neste tema, articulam-se razão e fé, ciência e religião, a ação humana e a graça divina. 

O DIA MUNDIAL DO ENFERMO é 11 de fevereiro. O doente grave deseja a cura e espera alcança-la pela intercessão de Nossa Senhora de Lourdes. Ela quis que o lugar de suas aparições se transformasse em terra de onde brotassem águas purificadoras das doenças do mundo moderno, especialmente, a incredulidade e a indiferença. De fato, experiências de cura, de libertação e de conversão desafiam cientistas, médicos e sacerdotes, incrédulos e crentes, católicos ou não. 

O médico, Dr. Maurice Caillet, outrora abortista e maçom, conta sua conversão em Lourdes, reproduzida pela narrativa do Cônego John Ciarlò. “Tinha ido a Lourdes apenas para acompanhar sua esposa Claude, atingida por uma doença misteriosa, mas esperançosa por uma cura. Ela era católica de religião, mas apesar de não praticante, sua fé não estava inteiramente morta. De fato, quando ela desceu na piscina, começou a rezar pela conversão de Maurice. Sua vontade, de fato, foi atendida; era realmente um milagre!” Dr. Maurice se converteu (Cf. 50 Conversões ao Catolicismo). Interessante ela ter pedido, em Lourdes, também pela saúde espiritual do marido. 

Maria sorriu várias vezes para Bernadete, a vidente. Não pode ter sido um simples detalhe sem significado, pois sorrir expressa simpatia e alegria. Assim sendo, a esperança do doente se realiza e se expressa tanto na cura física quanto na conversão, sempre espontânea e inesperada.  

Estamos necessitados de um pequeno sorriso vindo dos céus e, especialmente, da benevolência e serenidade da Mãe do Senhor a sustentar o peso de nossos fardos. Que ela nos visite a enxugar as lágrimas dos enlutados pela pandemia, a reanimar os profissionais de saúde, cansados de seus repetidos esforços em condições muitas vezes precárias de atendimento. Que ela responda ao desejo dos acamados que esperam a cura e aguardam a libertação. Faça-nos dignos do seu Filho, mais ricos de amor para a realização do bem. Seja Saúde dos Enfermos e Consoladora dos aflitos. 

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