NATAL DE LUZ E DE ALEGRIA

Na oração da noite de Natal, rezamos com toda a Igreja “fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da verdadeira luz”. É o sentido do nascimento daquele que é a Luz que “ilumina a todo homem vindo a este mundo” (Jo 1,9). É a comemoração que a liturgia faz memória, atualiza ou torna presente para nós. A noite é santa e resplandecente para quem a celebra na verdade da fé. É uma noite feliz ou alegre em qualquer situação em que nos encontremos, mesmo no sofrimento, exceto no pecado.

O Prólogo de São João é o evangelho do dia de Natal. Explica-se pela afirmação contundente: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória” (Jo 1,14). Tal qual numa sinfonia musical, o evangelista apresenta os principais temas a serem desenvolvidos em toda a obra na qual Jesus é revelado no seu mistério divino e tão humano, através da simbologia da luz e da vida: “o que foi feito nele era a vida e a vida brilha nas trevas…” (v.4-5)

Na sua vida pública, Jesus se identificará com a Luz e com a Vida. Dirá que quem nele crer terá a luz da vida ou verá o esplendor da glória. Desde já, somos filhos no Filho, dado que “a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus aos que creem em seu nome” (v.12). Portanto, no nascimento de Jesus, já está presente a vida nova de nosso renascimento, “pois de sua plenitude todos nós recebemos graça por graça” (v.10).

O transbordamento da graça e da vida divina que brota para nós corresponde à alegria inefável própria do Natal. Na noite santa, ela está presente, no modo narrativo de Lucas, quando o anjo nos diz: “Eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo. Nasceu-vos hoje um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,11). Este HOJE é fundamental.

Celebrar o Natal não é celebrar um grande aniversário, voltado para o passado, mas é atualizar a acolhida do Recém-nascido com seu significado único e salvífico para nossa existência atual. A liturgia também nos projeta para o amanhã, o futuro de Deus para nós, pois: “quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal qual ele é” (1Jo 3,2).

No conteúdo do coral angélico há motivo de júbilo. Hoje e agora, glorificamos a Deus que nos dá um Menino, um Filho (Is 9,5) e aspiramos pelo dom inestimável da sua paz (Lc 2,14). O próprio cantar é sinal de nossa alegria. O nascimento do Messias é também para nossa salvação.

As orações da missa da aurora e da missa do dia ajudam-nos vivenciar o mistério da Encarnação e do Natal como realidades tocantes: “agora que a nova luz do vosso Verbo Encarnado invade o nosso coração, fazei que manifestemos em ações o que brilha pela fé em nossas mentes”; “dai-nos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade”.

Desejo para todos os Diocesanos a experiência espiritual da proximidade com Jesus a exemplo de Maria, de José e dos pastores. Seja um Natal luminoso e feliz, nas Comunidades e nas famílias, nas quais o anúncio do nascimento do Senhor se torne realidade sentida na fé. Aos irmãos padres e diáconos e as consagradas, o ósculo santo da paz no Senhor!

                                                  SANTO NATAL 2020

Fonte de imagem: https://soucatequista.com.br/qual-e-o-verdadeiro-sentido-do-natal.html

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