MULHER VESTIDA DE SOL

A Assunção de Nossa Senhora é sua glorificação aos céus, em corpo e alma, plena de luz. Exaltação integral após a morte que coroou sua vida. Entretanto, ela viveu na condição de Serva do Senhor (Lc 1,38). Ao cantar a história da salvação, reconheceu que Deus aos “humildes exaltou” (v.52). Nela, realiza-se a palavra de Jesus: “quem se humilha será exaltado” (18,14).

O próprio Lutero, do qual muitos de seus seguidores ignoram seu parecer sobre Maria, ao comentar o cântico de louvor do Magnificat, exalta a Virgem humilde que ele reconhece ser mãe de Deus. Referindo-se à Anunciação diz: “…a verdadeira humildade nunca se sabe que é humilde. Se soubesse, se tornaria arrogante ao observar essa bela virtude. (…). Por isso a honra e a glorificação vão surpreendê-la ocupada com pensamentos alheios a ambas. …Maria estranhou a saudação. …nunca a havia esperado. Se a saudação tivesse sido levada à filha de Caifás, esta não se teria preocupado em perguntar pelo cumprimento. Ela a teria aceito imediatamente e pensado: Certo! É assim que deve ser.” Na Visitação, segundo Lutero, Maria expressa a humildade que só Deus vê. Ela olha apenas para os outros, não a si, e olha para Deus a quem louva. Esta humildade é que a enaltece. “A humildade é algo tão delicado e precioso, que ela não suporta olhar para si mesma”. Boa avaliação fruto de sua formação agostiniana.

Quanto a São João Paulo II, todo de Maria, utilizou o termo “gênio feminino” para enaltecer a genialidade da mulher. Define a excepcionalidade e singularidade da Mãe de Jesus de muitos modos. Diz: “A Igreja vê, em Maria, a máxima expressão do “gênio feminino” e encontra nela uma fonte incessante de inspiração” (In: Carta às Mulheres, 10). Da humildade de seu serviço decorre sua realeza ou exaltação. Explicita: “Pondo-se ao serviço de Deus, Ela colocou-se também ao serviço dos homens: um serviço de amor. Este mesmo serviço permitiu-lhe realizar na sua vida a experiência de um misterioso, mas autêntico <reinar>. …é invocada como a Rainha do céu e da terra. Assim a invoca toda a comunidade dos crentes; invocam-na como <Rainha> muitas nações e povos. O seu <reinar> é servir! O seu servir é <reinar>! (Ibidem).

João Paulo II desejou promover a mulher no mundo e na Igreja: “se ponha em evidência a verdade sobre a mulher. Seja colocado realmente em devido relevo o <gênio da mulher>, tendo em conta não somente as mulheres grandes e famosas, do passado ou nossas contemporâneas, mas também as mulheres simples, que exprimem seu talento feminino com o serviço aos outros na normalidade do quotidiano” (Id.,12). O caminho é ainda inacabado. Há muito a percorrer.

Aos que por preconceito ou ignorância abominam o conceito libertação na filosofia, na teologia e na pastoral e nas próprias vidas, saibam que quando se trata da mulher, João Paulo II o utilizou. Ele diz do “difícil caminho da mulher, ignorada na sua dignidade, deturpada nas suas prerrogativas, não raro marginalizada e, até mesmo, reduzida à escravidão. (…) Que este pesar se traduza, para toda a Igreja, num compromisso de renovada fidelidade à inspiração evangélica que, precisamente no tema da libertação das mulheres de toda a forma de abuso e de domínio, tem uma mensagem de perene atualidade, que brota da atitude mesma de Cristo. (Id.,3).

Contra todo sentido, aumenta a violência feita à mulher até o feminicídio. Maria, a mulher “vestida de sol” (Ap 12,1) nos faça olhar as mulheres na sua dignidade como parceiras e colaboradoras. Sejamos gratos pela sua solicitude feminina em todos os setores da existência.

1 comentário em “MULHER VESTIDA DE SOL”

  1. Hoje dia de nossa senhora da gloria eu pesso a nossa senhora muita luz sabedoria para eu saber destinguir o bem do mal nossa senhora da gloria rogai por nós p recorremos a vós

Deixe uma resposta para Antonia Dolores Martins Cancelar resposta