MEDITAÇÃO SOBRE O USO DO DINHEIRO

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Jesus pede a atenção e o cuidado para não cairmos em qualquer tipo de ganância porque a vida do homem não consiste na abundância de bens (Lc 12,15). Paulo adverte: “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro, por cujo desenfreado desejo alguns se afastaram da fé, e a si mesmos se afligem com múltiplos tormentos” (1 Tim 6,10). Escreveu isto a um bispo. Paulo sabia muito bem que, antes, o apóstolo Judas Iscariotes entregara o Senhor por 30 moedas de prata.

Diante da fome insaciável de dinheiro ninguém está imune. Por isso, a advertência do Mestre e do apóstolo Paulo aplica-se a cada um de nós, pois o desejo de possuir é bastante sedutor: “Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares” (Mt 4,9), disse o diabo a Jesus. O que não diria a nós?!

A temática do acautelar-se da paixão pelo dinheiro é sempre atual e recorrente. Se descuidarmos, podemos nos viciar como confessou publicamente um político brasileiro. Tal fixação se visibiliza nas operações da Lava-Jato que expõem a crise econômica e ética da sociedade brasileira, construída pelos amantes do dinheiro.  Desvela o sistema corrupto de propinas, de estruturas empresariais, políticas e jurídicas facilitadoras de fraudes contra o tesouro e o erário público. Enquanto isso, os pobres são massacrados e humilhados como sempre e o número de desempregados se avoluma.

A crise, no que há de pessoal, decorre da deformação do indivíduo. Ao se tornar líder e participar de qualquer poder decisório institucional, leva consigo a falta de caráter e de educação para cuidar do alheio e do bem público. Age sem ética. Atua sem pudor.

Não deixa de ser ridículo se não fosse vergonhoso e asqueroso ver um homem notório, cidadão de bem disfarçado, a esconder dinheiro na cueca (o que há de mais pessoal e íntimo). A alusão a um único fato aponta aos demais cujo dinheiro fora levado em malas, armazenado em salas ou escondido pelo sigilo bancário no exterior. A TV mostrou.

Voltando a Jesus, diante da ganância, trabalha com o tema da morte ou da finitude. Chama à reflexão. Por isso, diz: “Louco! Ainda esta noite, pedirão de volta a tua vida.  E para quem ficará o que tu acumulaste? ” (Lc 12,20). Significa: ninguém leva nada com a morte, mesmo os faraós mumificados se foram. Só os tesouros ficaram. Significa mais ainda: existe a prestação de contas ao Senhor da vida. Mas, esta gente que rouba crê?

A responsabilidade por uma existência reta e justa supõe a fé em Deus, na outra vida e no juízo: “todos teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu” (2 Cor 5,10).  Há pessoas, no entanto, que junto com o esvaziamento do sentido de Deus, perderam o alcance dos valores éticos e da responsabilidade de si, pelos outros e a pátria de todos.  Verdade seja dita, há quem não creia; porém, promove o sentido ético da existência e a responsabilidade social de suas economias.

“Ser rico para Deus” (Lc 12,21), eis a mensagem programática do Evangelho, pois o Senhor é o fundamento da existência. Ser rico de virtudes, sobretudo a bondade para com o outro. Rico de sabedoria para bem usar o dinheiro (sem abusar). Para ser administrador e possuidor de coisas e não ser possuído por elas. Capaz de favorecer com sua riqueza a equidade e a justiça, alimentada pela caridade para com os pobres, os fracos e invisíveis.

1 comentário em “MEDITAÇÃO SOBRE O USO DO DINHEIRO”

  1. “Nem dinheiro nem mentira”.
    O que pertence a César é o dinheiro e tudo que não presta( Frei José Apicella). Paz e bem.

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