MÃO ESTENDIDA

Para o Dia Mundial dos Pobres, o Papa Francisco em sua Mensagem nos estimula a termos em mão o Livro do Ben-Sira para unirmos a oração a Deus com a solidariedade aos pobres e aos enfermos: “A bênção do Senhor desce sobre nós e a oração alcança o seu objetivo, quando são acompanhadas pelo serviço dos pobres.” Por isso, realça a exortação: “Estende a tua mão ao pobre” (Sir 7,32).

De vários modos sugestivos, o Papa indica o sentido de estender a mão. É um sinal que apela à proximidade, à solidariedade, ao amor. Primeiramente, aos acometidos pelo vírus da pandemia: a mão estendida do médico, da enfermeira, do enfermeiro, de quem trabalha na administração, do farmacêutico, do sacerdote a abençoar, do voluntário, de homens e mulheres para prestarem serviços essenciais e segurança. “Todas estas mãos desafiaram o contágio e o medo, a fim de dar apoio e consolação”.

Diz uma verdade que ocorre onde está a Igreja Católica, também na nossa Diocese de Iguatu: a mão estendida ao pobre não chegou de improviso como a pandemia, isto é “… nos preparamos para reconhecer o pobre a fim de apoiá-lo no tempo da necessidade. Não nos improvisamos instrumentos de misericórdia”. De fato, temos a ação social – caritativa organizada, expressada com criatividade e generosidade, nas paróquias e comunidades. 

O Papa denuncia o fenômeno da indiferença e da insensibilidade, ambas históricas: “conservam as mãos nos bolsos e não se deixam comover pela pobreza, da qual frequentemente são cúmplices também eles. Existem mãos estendidas para premer rapidamente o teclado dum computador e deslocar somas de dinheiro duma parte do mundo para outra, decretando a riqueza de restritas oligarquias e a miséria de multidões ou a falência de nações inteiras. Há mãos estendidas a acumular dinheiro com a venda de armas que outras mãos, incluindo mãos de crianças, utilizarão para semear morte e pobreza. Existem mãos estendidas que, na sombra, trocam doses de morte para enriquecer e viver no luxo e num efêmero desregramento. Existem mãos estendidas que às escondidas trocam favores ilegais para um lucro fácil e corrupto. Há também mãos estendidas que, numa hipócrita respeitabilidade, estabelecem leis que eles mesmos não observam”. Problema mundial e local.

Expõe a contradição do mundo das mãos estendidas contra o pobre. Diante disso, pontifica: “Não poderemos ser felizes enquanto estas mãos que semeiam morte não forem transformadas em instrumentos de justiça e paz para o mundo inteiro”.

Recorda a sabedoria bíblica: “Em todas as tuas obras, lembra-te do teu fim” (Sir 7,36). Quer dizer: “A lembrança do nosso destino comum pode ajudar a conduzir uma vida sob o signo da atenção a quem é mais pobre e não teve as mesmas possibilidades que nós”. Também enfatiza que o amor é a finalidade da vida. Por isso, até “um sorriso que partilhamos com o pobre é fonte de amor e permite viver na alegria”.  

 Ao usar a expressão “encontro diário com o pobre” como projeto pessoal de cada dia, leva-nos a irmos além de um domingo, mesmo que seja tão especial. Para tanto, lembra-nos de Maria, “a Mãe dos pobres”, que deu à luz o Filho de Deus num estábulo. Ela há de nos acompanhar no encontro diário com Jesus no pobre.

Fonte da Imagem: https:// https://www.paulinos.org.br/home/wp-content/uploads/2020/06/pobres-768×511.jpg

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