EPIFANIA RADIANTE

A Epifania do Senhor é a manifestação do Menino Jesus aos pagãos e ao mundo. A narrativa evangélica dá sentido à celebração (Mt 2, 1-12). Aplica-se à chegada dos magos, o otimismo do antigo profeta, quando canta o esplendor de Jerusalém restaurada: “Levanta-te! Acende as luzes! ((Is 60, 1). A cidade sai da humilhação do exílio e da miséria extrema. Seus habitantes se reencontram consigo mesmos e com sua história. Olham o presente em reconstrução.

Entende-se que com o acender das luzes, só há motivos para cantar. A teologia da glória é dominante: “apareceu sobre ti a glória do Senhor e sua glória já se manifesta em ti “ (v. 2). O culto foi restaurado. A glória de Deus é a glória do seu povo.

A glória resplandece na assembleia dos que retornam e trazem as riquezas de além-mar. O caminho das nações é iluminado para que tragam riquezas, incenso e ouro a fim de embelezarem o culto e ornarem o templo (vv. 4-6).

Quanto à visita dos magos, é descrita com a simbologia da luz e do caminho a percorrer. O astro luminoso guia o itinerário dos sábios. Trazem presentes ao Messias, recém-nascido, rei dos judeus. O contraste, no entanto, é evidente, entre o grande esforço e o interesse dos visitantes se comparados com o desinteresse e desconhecimento do povo e de Herodes. Os presentes que trazem são dons, dignos de um rei, mas a cena é simples: “viram o menino com Maria, sua mãe” (Mt 2, 11). No entanto, a cena descreve o ponto de chegada. Ajoelham-se e presenteiam o Menino. Jesus está o centro. Quanta singeleza!

A mensagem da Epifania é, certamente, Jesus que atrai as nações. Sua vinda é para os povos todos. Sua mensagem é inclusiva, desde o Natal à Páscoa, de sorte que seus apóstolos e discípulos teriam que a expandir: “Ide, pois, de todas as nações fazei discípulos” (Mt 28,19).

A Epifania confirma o que se tornaria uma das notas características da Igreja de Cristo, a catolicidade. Paulo compreendeu a universalidade da salvação e da missão. Seus ensinamentos e seu empenho pessoal, tornaram-no conhecido como sendo o apóstolo dos gentios. Foi-lhe revelado que “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo por meio do evangelho” (Ef 3, 6). Deu a vida para difundir o evangelho de Cristo do Oriente ao Ocidente, chegando, enfim, a Roma.

A riqueza das nações é levada a Jesus em processo histórico inacabado. Significa um duplo movimento. Por um lado, as culturas se enriquecem com aquilo que evangelho tem de próprio e de melhor; por outro, o evangelho e a Igreja são enriquecidos dos bens imateriais que as culturas trazem para a arte, a sabedoria, os costumes, a vivência dos cristãos. A estrada é de duas mãos: a que dá e a que recebe. A catolicidade está também na recepção. Por isso, a Liturgia, a Pastoral, a Teologia e a Devoção trazem em si as marcas diferenciadas da influência de nações, povos, culturas, tradições. Hoje está em pauta uma nova enculturação, a nova Epifania.   

Os sábios da antiga Epifania chegaram por um caminho e retornaram por outro (v. 12), apontam igualmente para a perseguição à Palavra, aos pregadores e aos destinatários. Não faltam novos Herodes que, perturbados, planejam exterminar o cristianismo. A realidade se repete sempre de modo diverso.  Paradoxalmente, a perseguição que dispersa é capaz de ampliar e universalizar. Já na era apostólica ocorreu: “Os que haviam sido dispersos iam de lugar em lugar, anunciando a palavra da Boa Nova” (At 8, 4).

 A Igreja em saída, incentivada pelo Papa Francisco, supõe a criatividade e, sobretudo, a audácia de ir e vir. A Epifania do Senhor ocorre, ontem e hoje, graças ao zelo missionário dos audaciosos e destemidos.

SANTA EPIFANIA A TODOS !!

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