DO PAPA AOS NARRADORES

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Na Solenidade da Ascensão do Senhor, celebramos a conclusão da missão terrena de Jesus, o mandato da missão da Igreja que seria iniciada após a vinda do Espírito Santo. A narrativa da Ascensão estimulou a história da Missão universal: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28,17-20).

O Vaticano II decretou que se comemorasse um dia anual das comunicações sociais, em todas as dioceses. São Paulo VI escolheu a Solenidade da Ascensão para ser o Dia Mundial. Inaugurou uma nova narrativa: a prática que os futuros papas mantiveram de enviar uma Mensagem anual sobre a comunicação social.

Neste ano de 2020, nosso Papa Francisco nos enviou uma Mensagem com o tema da narração. Afirma a “necessidade duma narração humana, que nos fale de nós mesmos e da beleza que nos habita; uma narração que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura, conte a nossa participação num tecido vivo, revele o entrançado dos fios pelos quais estamos ligados uns aos outros”.

O Papa nos oferece um texto gostoso de ler, simples no estilo e denso no conteúdo, de longo alcance: “a vida que se faz história”. De fato, muitas vezes a comunicação social narra vidas humanas (não necessariamente biografias), testemunhos em afirmações e em decisões, declarações que dizem respeito à vida que se leva com sofrimento e satisfação.

Quando vemos entrevistas e mesmo um círculo de debates, percebemos o que o Papa quer dizer quando afirma “o homem não só é o único ser que precisa de vestuário para cobrir a própria vulnerabilidade, mas também o único que tem necessidade de narrar-se a si mesmo, “revestir-se” de histórias para guardar a própria vida”. Tecemos história.

A Pastoral da Comunicação Diocesana e as respectivas Pastorais nas Paróquias também tecem histórias humanas entre nós. Por que? “O homem é um ente narrador, porque em devir: descobre-se e enriquece-se com as tramas dos seus dias”.

A Pastoral comunica as narrativas que “nos ajudem a não perder o fio, no meio das inúmeras lacerações de hoje; histórias que tragam à luz a verdade daquilo que somos, mesmo a heroicidade oculta do dia a dia”. Aqui reside a importância da Pastoral da Comunicação quando sabe narrar os fatos da vida eclesial para que não percamos o fio.

Nossa Pastoral há de aprofundar o que Papa diz a respeito da Sagrada Escritura, chamando-a de “História de histórias”. Diz: “Deus, através do seu narrar, chama à vida as coisas e, no apogeu, cria o homem e a mulher como seus livres interlocutores, geradores de história com Ele”. Deus que narra, igualmente, nos cria narradores.

A Pastoral da Comunicação é constituída de discípulos e de discípulas de Jesus que lhe prestam o serviço de anuncia-lo. Neste tempo de pandemia, presta um serviço a tantas histórias que, nos lares, são narradas. Vence a distância. Faz ponte no isolamento. Reza com a gente. Narra sua própria história que um dia será recontada e digitalizada. Obrigado aos que participam dessa aventura de transmissão, sobretudo, da Eucaristia.

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