DISCÍPULO. SEGUIDOR. IMITADOR

O Evangelista Mateus tem como interesse principal demonstrar quem é Jesus, desde sua genealogia: “origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mt 1,1), inserindo-o dentro da história da Promessa. Podemos dizer que a história da salvação se encaminha para Ele que é o cumprimento ou a realização das profecias messiânicas.

De todos os títulos atribuídos a Jesus que o evangelista ressalta, destacam-se:  Filho do Homem, Messias, Filho de Deus. Caracterizam sua identidade mais profunda que se reconhece somente quando se tem o dom da fé a qual depende exclusivamente da revelação divina.

A profissão de fé em Cristo, feita pelo apóstolo Pedro, é situada onde Jesus se encontrava, na região de Cesareia de Filipe. Na ocasião, perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? ” (16,13).

A pergunta é sobre sua identidade. Interessa a resposta pois a opinião pública nem sempre é favorável ou unânime. No caso, a opinião é até favorável, no sentido de identificar Jesus em comparação a algum dos antigos profetas, o que significa dizer, é homem de Deus, um intérprete de sua Palavra (v.14). Há, no entanto, as terríveis divergências dos inimigos. Seja como for, não se seguem os profetas como quer ser seguido Jesus: “vai, vende os teus bens…” (19,21).

Jesus provocou a pergunta aos seus discípulos: “Quem dizeis que eu sou? ” (v.15). A resposta é fundamental para se tornar um verdadeiro discípulo, seguidor, caminhando juntos, no mesmo itinerário messiânico, imitando a doação que o conduz ao sofrimento e à morte (21.24-25).

Pedro que sempre se destaca pela sua liderança respondeu, enfaticamente: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (v.16). Jesus, a seguir, o proclamou bem-aventurado porque foi o Pai que isso lhe revelou (v.17). A profissão de fé em Jesus, o Cristo, é a condição para segui-lo e imita-lo; é pura revelação divina; constitui a felicidade ou bem-aventurança do discípulo. Quanto ao discipulado, Jesus já havia dito: “Aprendei de mim…” (11,29). É aprendizado progressivo.

Quanto à identidade do serviço petrino, é por Jesus revelado como ministério eclesial para a continuidade de sua obra. Ao mudar o nome de Simão por Pedro, Ele estabeleceu o sentido da simbologia de construção eclesial: “sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (v.18). Importante dizer que o nome não existia. Jesus o estabeleceu como nome de missão a ser exercida, semelhante à base, ao fundamento ou “à estaca em lugar seguro” (cf. Is 22,23).

A entrega das chaves pelas mãos do próprio Jesus é outro gesto sinalizador de investidura da missão de governo em função do Reino: ligar e desligar (v. 19) que se traduz no poder de excomunhão e perdão, de decisão doutrinal e jurídica, à semelhança do mordomo que recebeu o encargo de levar à chave no ombro, no amplo simbolismo de abrir e fechar o palácio real (Is 22,22).

Abrir em cada época o acesso a Jesus é a missão de toda a Igreja para que haja novos discípulos (28,19-20). Tornar Jesus conhecido e ser-lhe fiel até o martírio. Equivale a ser também por Ele identificado diante do Pai: “Eu me declararei por ele…” (10,32). Eis a grande promessa.

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