BELEZA E TERNURA

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A Encarnação e o Nascimento de Jesus derivam da decisão da Trindade Santíssima. É um ato da vontade divina. É ato da liberdade do Amor. A vontade do Pai é revelada na missão do Filho: “Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10, 7). Cristo, ao entrar no mundo, reconhece: “Formaste-me um corpo” (v. 5).  Tal sublime colaboração é afirmada em modo de salmo de resposta (vv. 5-7; cf. Sl 40-7-9) pelo qual o Filho se entrega: “Eis-me aqui! ”  (v. 7).

Quanto ao Espírito Santo, Ele é a condição que torna a Encarnação possível. Assim o Mensageiro esclarece a Maria: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra” (Lc 1, 35). Assim sendo, “achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1,18). O Espírito é, por consequência, a condição de possibilidade de Maria ser a Mãe de Jesus, a Mãe do Senhor. Somente unida ao Espírito, cheia de graça (Lc 1, 28), podia com sua liberdade afirmar, como de fato fez, sua total cooperação: “Faça-se em mim…” (v. 38).

Ela nos ensina o silêncio diante do Mistério do qual é portadora. Silêncio de saber ouvir. Silêncio de contemplação. Silêncio de intimidade. Silêncio de guardar e recordar. Silêncio de reavivar no coração agradecido. Silêncio preenchido pela palavra do seu sim, do “faça-se”. Ela “conservava cuidadosamente todos esses acontecimentos e os meditava em seu coração” (Lc 2, 19; cf. v. 51).  Na alegria e na dor, renovava seu próprio sim, memorial do “faça-se”.

Os escritores cristãos enfatizaram o silêncio de José. Observam que os textos do Novo Testamento não lhe registram a palavra. Ele não diz nada nem em sonho. Narra o evangelista: “José, ao despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher” (Mt 1, 24). O executante ouve e faz. Silêncio da audição. Silêncio da obediência.

Sua atitude de querer deixar Maria em segredo expressa a outra dimensão do seu recolhimento. Silêncio respeitoso. Silêncio benevolente. Não querendo difamá-la (v. 19), recusa-se a expor-se ao processo da Lei (cf. Dt 22, 20-21). Porém, permanece na incompreensão do Mistério. Quem poderia, no seu lugar, entender?  A revelação do Anjo esclarece: “o que nela foi gerado vem do Espírito Santo “ (v. 20). A partir de então, o silêncio de José fala. Silêncio de admiração.

Bento XVI interpreta o silêncio de José à luz da meditação feita por São João Paulo II. “É permeado de contemplação do Mistério de Deus, em atitude de total docilidade à Vontade divina”. Manifesta “a plenitude de fé que ele traz no coração, e que orienta todos os seus pensamentos e todas as suas ações”. “Silêncio impregnado de oração constante, de oração de bênção do Senhor, de adoração da sua santa Vontade e de confiança sem reservas na sua Providência” (Cf. Angelus, Praça de São Pedro, 18 de dezembro de 2005). Silêncio exemplar!

O Espírito capacita ao reconhecimento do Mistério que Maria carrega consigo. Isabel sabe disso.  “Repleta do Espírito Santo” (Lc 1, 41), solta “um grande grito” de exclamação que professa a fé: “Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?! ” (v. 43). Quem se aproxima de Maria se aproxima do Espírito, disse Santo Efrem, e bendiz o fruto de seu ventre.

Na alegria da meditação do Mistério da Encarnação e do Natal, entremos na cena. Sigamos o itinerário dos pastores, pois eles “encontraram Maria, José e o Recém-nascido deitado na manjedoura” (v. 16). Caminhemos com os magos, conduzidos pela estrela luminosa da fé. Entraram na casa e viram “o menino com Maria, sua mãe”. (Mt 2, 11) Recebamos de suas mãos maternas o pequenino Dom. Assim, o ponto de chegada será de partida para novas andanças.

 Nosso silêncio será meditativo diante do Recém-nascido. Ainda não fala.  Seu silêncio é nossa adoração. Deus se tornou um bebezinho. Tudo é aquecido de graça, de luz, de paz e amor. Resplandecem a beleza e a ternura.  

FELIZ NATAL! SANTO NATAL!

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