AUTORIDADE DO ENSINO

 

A leitura continuada do evangelista Marcos nos põe diante de Jesus Mestre. Praticamente, Ele inicia o ensinamento dentro da sinagoga de Cafarnaum. É sintomático. Marcos visa a enfatizar: “ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei” (1,22). Trata-se de apresenta-lo, desde o início, em confronto com o ensinamento dos mestres e doutores.  O que ocorrerá em toda a sua vida pública. Jesus há de ensinar em meio a controvérsias, debates e discussões, especialmente com os fariseus e escribas.

A localização é importante, o espaço da sinagoga, lugar do encontro com a Palavra. O dia também é especial: o sábado do repouso de Deus. Ora, na sinagoga estava um homem fora de lugar, pois estava “possuído por um espírito mau” (v.21).

A situação é inusitada, pois o possuído interpela Jesus, gritando: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? “Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus” (v.24). Jesus responde ao grito com autoridade: “Cala-te e sai dele” (v.25). A reação dos presentes passa da “admiração” (v.22) para o espanto (v.27).

Surpreendentemente, a conclusão da narrativa diz mais sobre o ensinamento do que sobre o exorcismo, devido menos à pergunta e mais à resposta: “O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” (v.27). Em primeiro plano parece se encontrar a autoridade do ensinamento de Jesus.

A composição da narrativa é bem construída. A sinagoga constata que Jesus ensina com autoridade e, sobretudo, que é novo seu ensinamento. Sua doutrina é nova se comparada com a dos escribas e doutores da Lei, ou seja, Jesus possui e expressa liberdade em face ao antigo, corrige-o. Tal liberdade de interpretação que até escandaliza constituiria um sinal indicativo de sua pretensão messiânica ou filial.

Do ponto de vista literário, a composição faz com que o segredo messiânico, revelado no tempo oportuno, de certa forma seja conhecido pelo possesso que diz: “sei quem tu és, o Santo de Deus”. Neste caso, Jesus impõe-lhe silêncio. Ocorrerá quando os espíritos impuros, “assim que o viam, caíam a seus pés e gritavam: Tu és o Filho de Deus! E ele os conjurava severamente para que não o tornassem manifesto” (3,11-12). A imposição do silêncio expressa a rejeição de um testemunho, vindo do mal. Em outras oportunidades, porém, Jesus apenas exigirá o segredo.

Para nós, o segredo messiânico já foi revelado, é Jesus. Por isso, Ele há de ser anunciado e divulgado por toda a Igreja com a autoridade de sua Palavra que possui força intrínseca de admiração, estupefação e realização. Quanto à disposição, a “proclamação do Evangelho de Deus” (1,14) se faz com a decisão semelhante do Mestre.    

Neste ano de 2021, apenas começado, retomemos a centralidade em Jesus Cristo, nosso Mestre e Salvador. Procuremos dar conteúdo seguro e libertador à nossa pregação, ao nosso testemunho, à nossa solicitude para com todos.

Hoje também compete aos cristãos a divulgação, semelhante à conclusão do relato: “A fama de Jesus logo se espalhou por toda a parte…” (v.28). Obviamente, o objetivo de divulgar Jesus é o de possibilitar discípulos (as) e seguidores ou imitadores que o acolham como Mestre e Salvador, desde agora para a eternidade.

Fonte de Imagem: http://caminhoscarmelitas.com/?p=3016

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