O DESAFIO DE IR AO ESSENCIAL

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A Solenidade do Sagrado Coração e, por extensão, sua devoção durante o mês de junho, é um insistente convite a irmos ao essencial. O essencial na vida cristã é centrarmos nossa existência em Jesus, tudo realizar por Ele e com Ele para glorificar o Pai na unidade do Espírito Santo e realizar as obras que salvam, libertam, edificam, humanizam e santificam pessoas e ambientes.

O símbolo da ação conjunta de colaboração, simultaneamente humana e divina, que efetuamos é Coração de Jesus. Neste coração de homem, habita a “plenitude da divindade” (Cl 2,9). Eis a razão da nossa existência e das atividades no campo existencial, familiar, social e eclesial.

A espiritualidade centrada no Coração de Jesus permite reconhecer que tudo que fazemos brota da graça de uma Presença: “já não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Permite que compreendamos o significado prático e dinâmico da alegoria da videira: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Promove a resposta da reciprocidade: “Permanecei em mim, como eu em vós” (Jo 15,4); “Permanecei no meu amor” (v.9). São laços de aliança e de confiança.

A espiritualidade centrada no Coração de Jesus promove a comunhão eucarística, pois, Ele nos diz: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56). Um dos efeitos da comunhão sacramental, verdadeira e frutuosa, é dado por Ele próprio: “…aquele que de mim se alimenta viverá por mim” (v.57).  Portanto, é saber-se enviado à aventura da vida cristã genuína, impregnada do “mesmo sentimento de Cristo” (Fil 2,5).

Não se trata de simples sentimentalismo de afeição alienante, pois, Jesus é o Logos-Ágape, Inteligência e Amor, Vontade e Liberdade. Não amor indefinido, mas comprometido, solidário e gratuito. Dom de si. Trata-se, pois, de buscar com empenho sereno o que Paulo traduz em atitudes “cristificadas”: “no mesmo amor, numa só alma, num só pensamento, nada fazendo por competição e vanglória, mas com humildade, julgando cada um os outros superiores a si mesmo, nem cuidando cada um só do que é seu, mas também do que é dos outros” (Fil 2,2-4). Tudo que o mundo, em geral, despreza, porém, o discípulo de Cristo acolhe como apetecível.

O Coração de Jesus é também estimulo de contemplação: “Olharão para Aquele que transpassaram” (Jo 19,37; cf. Zc 12,10). É escola de vida e de perfeição: “Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). Promove a conversão como sendo voltar-se para Deus. Estimula a meditação das “maravilhas do seu amor” (cf. coleta do dia da festa).

A contemplação se une à ação e ela remete à contemplação. É um círculo virtuoso que os santos e santas vivenciaram, realizando pequenas ou grandes obras no mundo que só Deus avalia a dimensão: “Quem crê em mim fará as obras que faço e fará até maiores do que elas…” (Jo 14,12). A força transformadora do amor de Jesus em nós realiza maravilhas se nos movermos pela graça e a confiança em Deus. O “milagre” de vidas abnegadas, em meio a tanto egoísmo e patifaria, faz-nos entender o que significa fazer as obras que Ele fez e “até maiores”.

Enfim, na mística do Coração de Jesus, encontramos refúgio, descanso e consolação na chaga aberta pela lança. Também no de Maria que se entrelaça ao de seu Filho na espada de dor (Lc 2,35). Ambos os Corações expressam a aliança do amor a ser imitado em tudo e para todos.

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