DIOCESE DE IGUATU
3 de novembro de 2018

UM SONHO QUE DÁ CERTO

Há 30 anos, na Diocese de Iguatu, teve início a Pastoral da Criança. Em 1988, Dom José Mauro, primeiro Bispo Diocesano, permitiu sua implantação, tendo como coordenadora, a Sra. Francisca Elieuza Gonçalves, na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Do Prado, ela se expandiu para o amplo território diocesano, permitindo a colheita dos frutos desejados.

Fato notável é o bem que a Pastoral realiza. Obra bem-sucedida, alicerçada na comunidade e na capacitação de líderes voluntários que vivem no lugar, isto é, participam da vida comunitária. Os voluntários assumem a orientação e o acompanhamento das famílias vizinhas.

As ações básicas são: saúde, educação, nutrição, cidadania. O objetivo corresponde às ações, pois, visa ao “desenvolvimento integral das crianças, promovendo, em função delas, suas famílias e comunidades, sem distinção de raça, cor, profissão, nacionalidade, sexo, credo religioso ou político” (artigo 2 do Estatuto).

No desejo da médica sanitarista e pediatra, Dra Zilda Arns Neumann, a missão da Pastoral brota da palavra de Jesus, adaptada e atualizada no mundo da infância: “Para que todas as crianças tenham vida em abundância”. Trata-se, pois, de promover seu desenvolvimento, desde o ventre materno aos seis anos, sobretudo, pela orientação básica de saúde, nutrição e educação. Os cuidados nos primeiros mil dias previnem a mortalidade e as doenças crônicas na idade adulta.

A tenacidade de Zilda é algo extraordinário ao ter que superar grandes dificuldades. Movida por suas certezas e “a fé operosa pela caridade” vencia as incertezas e a má vontade de setores da Igreja e do seu meio profissional. A propósito, ela narra que “alguns médicos que atuavam em Florianópolis quiseram me testar. Mandaram uma criança, entre 8 e 9 meses, em estado grave de desidratação, para ser reidratada com soro oral. Quando examinei a menina, vi que era um caso difícil e talvez necessitasse de reidratação endovenosa. Mas pedi a Deus que me ajudasse e chamei três líderes que já tinham sido capacitadas em soro caseiro. Orientei-as para que dessem à criança soro e leite materno com conta-gotas. Passaram a noite de plantão, junto à criança. No dia seguinte, a menina estava reidratada, então pedi às líderes que a levassem ao médico. A partir desse caso, os médicos começaram a respeitar o tratamento com soro oral” (In: Dra ZILDA. Vida plena para todas as crianças. Museu da Vida. Curitiba, 2014, p. 99).

 Na Diocese de Iguatu, a Pastoral da Criança atinge 4.720 crianças, isto é, 11,3%, dentre 48.764 crianças pobres, conforme os dados do último censo do IBGE. Podemos avançar. Logo, devemos expandir a obra. Sirva de estímulo as Paróquias que se distinguem:  Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Prado, com 846 crianças; Nossa Senhora do Rosário, em Icó, com 801; São José, em Catarina, com 532; São João Batista, no Cedro, com 501.

São três os instrumentos utilizados pela Pastoral: a visita domiciliar mensal às famílias pobres; o Dia do Peso, celebrado mensalmente; a reunião também mensal para a análise dos indicadores de impacto e o estudo de estratégias para superar as dificuldades. O ritmo próprio do amor, animado pela fé, faz da Pastoral um acontecimento simples, mas eficaz e digno de admiração.

Cultivemos as duas certezas da Dra. Zilda. A primeira é: “Se as líderes comunitárias aprendessem as ações básicas e ensinassem às mães, a mortalidade infantil seria reduzida pela utilização do soro caseiro, pela amamentação, com a vigilância nutricional, a vacinação e, também, com muito cuidado com as gestantes e o parto” (Opus cit., pag. 96). A segunda é: “quanto mais participação, mais haveria a promoção humana e a educação. Com pessoas da comunidade fazendo acontecer o trabalho, naturalmente elas iriam se envolver para proteger e recuperar as crianças” (Id, p. 97).

Tal rede de solidariedade é a resposta ao desafio lançado por Zilda Arns. O desafio permanece. Entre nós é o de manter e de expandir a obra, visando à inclusão social. Isto é o que conta.

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