DIOCESE DE IGUATU
20 de abril de 2018

Padre Crisares: Humilde e grande servo de Jesus

Este bimestre, abril-maio, é, especialmente, para o povo acopiarense, um período de recordação, mais intensa, da figura de um eminentíssimo sacerdote, o Pe. Crisares Sampaio Couto, denominado, por muitos, como o “Patriarca de Acopiara”, título outorgado em uníssono, por católicos e não católicos, cristãos e não cristãos, enfim, por todo o povo desta urbe.

Nascido em Jardim, aos 12 de abril de 1929, Pe. Crisares, cedo, foi enviado ao Seminário do Crato e da Prainha, este, na capital estadual, e, ambos, “celeiros de muitas e profícuas vocações”, como muitos de seus alunos, ainda hoje, chamam-nos. Após os longos anos de formação, por volta de uma década, que abrangia todas as áreas concernentes ao ministério presbiteral, recebeu o sacramento da Ordem aos 27 de dezembro de 1953, portanto, com 24 anos.

Tendo exercido as missões de Professor do Seminário e do Colégio diocesanos do Crato, Subsecretário da Diocese do Crato, Vigário Cooperador do Icó e do Iguatu e Vigário Geral da Diocese de Iguatu, foi, em 24 de janeiro de 1960, empossado como Vigário da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, do nosso Município de Acopiara, onde já tinha estado, momentaneamente, como Vigário interino, no lugar de Pe. João Antônio de Araújo, a quem sucedeu, definitivamente, na data supracitada, por obediência a seu, então superior, Dom Vicente Paulo de Araújo Matos, Bispo do Crato, à época. Era uma circunscrição grande, mais de 2046 km2, confiada a um, só, presbítero, que, no entanto, assumiu, ardorosamente, sua missão.

Estas plagas pertenciam, à época, ao território diocesano de Crato, passando, em 1962, à jurisdição do Bispado de Iguatu. Pe. Crisares, mesmo sendo filho da outra Igreja particular, permaneceu fiel à nova grei, cumprindo o ofício paroquial que fora-lhe confiado, para alegria do povo de Deus, contagiado, sempre mais, pelo carisma do sacerdote.

Foram 51 anos, 1 mês e 7 dias de paroquiato, quando, por obediência ao Bispo da época, entregou a condução da comunidade ao seu sucessor, mantendo, entretanto, sua residência na cidade que o acolhera, naquela que, mesmo nos nossos dias, é chamada de a “Casa do Pe. Crisares”, casarão situado em frente à Igreja Matriz, templo, do qual, ressoou sua voz por anos, particularmente, nas Missas dominicais matutinas, que, por emissoras locais de rádio, chegava a toda a população, até mesmo de outras freguesias. Quem esquecerá aquela eloquente e vibrante saudação litúrgica inicial: “Prezados irmãos, prezadas irmãs- presentes nesta Igreja matriz, em seus lares, nos hospitais, nas cadeias: A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo… estejam sempre convosco”? Marcou memórias, firmemente devotadas ao respeito para com aquele pastor!

Tendo administrado centenas de comunidades, urbanas e rurais, as nossas CEB’s, mostrou-se um líder nato, porque transparecia, não, somente, capacidade de chefia, mas, simultaneamente, senso de humanidade, imbuída do espírito evangélico. Seu carisma cativava a todos que rodeavam-no, porque, estes mesmos, viam, em seu rosto, a figura de um amigo, a quem poderiam recorrer nas adversidades, de quaisquer naturezas.

E isto é comprovado pela ação sócio-pastoral desenvolvida: construção de capelas, Centro Pastoral, Centro Social, açudes de grande porte, cisternas de placa, piladeiras de arroz, além da compra, com donativos católicos europeus, e doação de terrenos para moradias populares, com as suas respectivas escrituras, portanto, acalentando pessoas angustiadas, independentemente de credo. Quando indagado pela tendência ou ideologia assumida, respondia, prontamente, não conivir com assistencialismo, paternalismo ou outros, mas, sim, corresponder com sua vocação missionária.

Quando de sua partida deste mundo, Acopiara chorou! Não trata-se, pois, de uma figura simbólica, mas, sim, da realidade, constatada nos solenes funerais, de 29 a 30 de maio daquele ano de 2014: Homens e mulheres, crianças, jovens, adultos e idosos, demonstravam, à sua maneira, luto e tristeza, pela partida daquele ícone. Momentos singelos, mas fortes, foram os espaços disponibilizados ao povo, para que, nos intervalos entre as Missas e outras orações, falassem, usando dos microfones da Matriz, aquilo que viesse ao coração, em relação ao padre. Quantos relatos não ecoaram naquele local sagrado… histórias que emocionavam, não pela dramaticidade, sensacionalismo ou demagogia, mas pelo fato de serem pura verdade.

A Missa solene campal, celebrada na Praça da Matriz, foi uma confluência de milhares de fieis, que, de todos os meios, foi até aquele patamar, rezar e despedir-se daquele “instrumento eficaz da ação de Deus”. A Salve Regina (Salve Rainha), entoada pelo clero presente, e o Hino da Padroeira, cantado pela grande massa, fecharam os ritos públicos da celebração, enquanto o féretro era levado ao interior da Igreja, para sua sepultura, sendo a última prova de respeito dos acopiarenses para com o ilustre sacerdote.

Dize-mo-lo, sem antecipar-mo-nos ao juízo prudente da Santa Igreja: Acopiara perdeu um grande Pároco, mas, certamente, ganhou um eminente intercessor, junto de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro! Viveu, fidedignamente, o que sua divisa sacerdotal apregoava: “Fazei tudo o que Ele vos disse.” (Jo 2,5), por isso, os portais celestes lhe foram abertos, para ouvir do Divino Mestre: “Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor”! (Mt 25,21)

 

De um de seus paroquianos, amigo e “discípulo”, Pedro Lucas Teixeira Mendes, seminarista acopiarense de Filosofia.

Fortaleza, 19 de abril de 2018.

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