DIOCESE DE IGUATU
4 de maio de 2018

COM OS JOVENS

Momento eclesial expressivo é nossa Mini – Assembleia Diocesana com a presença dos jovens. Ramos na videira, em Cristo unidos, as forças vivas da Diocese de Iguatu, juntas com as juventudes, representam nossa Igreja Particular. A Mini é o prolongamento da ampla Assembleia à qual se refere no tocante às urgências pastorais. Tempo de avaliação, de revisão e de estímulo. 

A temática motivadora é a evangelização das juventudes, no campo e na cidade, presentes nas CEBs, paróquias, movimentos e novas comunidades. A pastoral vocacional e a missionária são afins à mocidade bem como a preparação e a celebração do sacramento da Confirmação por razões óbvias. Os crismandos ao serem confirmados sinalizam para a vitalidade e a esperança da Igreja no mundo. Constata-se que o jovem é o grande evangelizador do outro jovem.

Temos também rapazes e moças que não são atingidos pela ação da Igreja, inclusive grande parte da juventude universitária, aberta ao saber, e que será a liderança do país em futuro próximo. Igualmente, não podemos tapar os olhos diante da problemática do jovem em descompasso com nobres expectativas e possibilidades, cooptado pelo crime e seduzido pelas drogas, e só em parte atingido por pastorais específicas.

 Nosso Papa Francisco é juvenil e é bastante arejado. Na Exortação Apostólica Gaudete et Exultate sobre a chamada à santidade no mundo atual, aponta dois inimigos sutis a falsearem a santidade cristã. São falsificações porque exageram a perfeição humana sem a graça. Na pastoral das juventudes pode ocorrer tais falsificações de lideranças e grupos se forem motivados pelo gnosticismo ou pelagianismo em suas modalidades contemporâneas.

Os gnósticos não percebem que nossa perfeição se mede pelo nosso grau de caridade. Não pela quantidade de dados e de conhecimentos adquiridos. Tendem a reduzir o ensinamento de Jesus a uma lógica fria e dura, ao simples exercício intelectual de domínio mental. Ao contrário, os aspectos doutrinais não se reduzem a um sistema fechado, privado de dinâmicas próprias incapazes de gerar perguntas, dúvidas, questões. Ainda mais: a sabedoria cristã está unida à misericórdia para com o próximo. Por isso, o cristianismo é, antes de tudo, prática solidária do amor que gera justiça, promove a vida, recupera a dimensão ética e esperançosa da existência.

Quanto aos pelagianos, trocam o intelecto pela vontade ou o esforço pessoal. Mesmo quando articulam à vontade humana com o auxílio da graça de Deus dão a entender que o querer é puro, perfeito, poderoso e livre ou que a vontade tudo pode. Assim, ignoram que as fragilidades humanas não são curadas completamente e uma vez por todas, mesmo com a presença da graça.

Esta discussão que o Papa atualiza é antiga. Santo Agostinho a enfrentou bravamente.  Santo Tomás de Aquino concluiu-a, afirmando que “a graça supõe a natureza”. Quer dizer que a graça não nos torna sobre-humanos. Ela nos transforma, porém, progressivamente. Se recusarmos este ritmo histórico e progressivo, tão humano e oneroso, podemos negar e até bloquear a atividade da graça e desanimar o jovem e os adultos no caminho, talvez lento, do seguimento de Cristo.

Em consonância com a espiritualidade católica, nos contatos com rapazes e moças conservemos o equilíbrio que dá o devido espaço à graça. Sejamos, pois, facilitadores! A amizade com o Senhor é a chave do equilíbrio. Tal amizade supera, lembra o Papa, infinitamente, pois não é adquirida com as obras, mas com a aceitação do dom gratuito do amor dado por Jesus.

A jovialidade do Papa consiste em recordar-nos que se dermos demasiado valor à vontade e a suas capacidades, podemos tender à obsessão pela lei, ao fascínio com as vantagens sociais e políticas, ao excessivo cuidado com a liturgia e com a doutrina, à busca pelo prestigio da Igreja, à gestão eficiente de assuntos administrativos, à atração por dinâmicas de autoajuda e de realização de si. Assim fazendo, despojamos o Evangelho de sua simplicidade, fascínio e sabor. Criamos um esquema que se fecha à atuação da graça. Por isso, atenção ao estímulo do Papa.

Um comentário em “COM OS JOVENS

  1. No Ano do Laicato, em muito boa hora, a Diocese dedica o tema de sua tradicional Mini Assembleia à juventude; e fá-lo, não apenas em relação aos jovens que se deixam reunir-se em agremiações de cunho pastoral, mas – está claro! – à juventude em geral.
    Louve-se, neste particular, esta mensagem da autoridade diocesana, em torno de assunto tão pertinente!, quanto ao da participação dos jovens na Comunidade de Fé, que é a Igreja.
    Osmar Lucena Filho
    Paróquia do Sagrado Coração de Jesus
    Piquet Carneiro

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